Um menor de 15 anos foi asfixiado e morto por outros dois adolescentes na noite de anteontem, no Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Infrator (Ciaadi). Diego Henrique Marra Sales, detido recentemente por posse de entorpecentes, é a primeira vítima de homicídio registrado no Centro desde a inauguração, há sete anos. O crime, na avaliação da promotora da infância e juventude de Londrina, Edina Maria de Paula, foi motivado por acertos relativos ao tráfico de drogas e à superlotação da unidade.
De acordo com a promotora, o crime teria sido cometido por volta das 20 horas de sábado por um adolescente de 17 anos e outro de 14, companheiros de cela de Diego. ''Ele estava isolado até a manhã de sábado pois seria encaminhado para tratamento de desintoxicação. Mas na noite de sexta alguns meninos detidos em duas das celas da mesma ala onde Diego estava serraram as grades das janelas e precisaram ser remanejados. Como todos passaram a semana em clima de boa convivência, os educadores avaliaram que dois deles poderiam ficar na mesma cela que Diego'', contou Edina.
No início da noite de sábado, um dos educadores teria sido avisado pelos menores que Diego estava morto. ''Quando ele chegou à cela, ele já havia morrido'', contou Edina, dizendo ainda que os autores usaram um cobertor para sufocar a vítima. ''Ele ainda foi chutado no rosto depois de cair no chão, quando já estava agonizando'', continuou. O corpo do jovem também tinha esquimoses nas mãos e nos pulsos.
Segundo a promotora, a versão dos menores é de que eles mataram Diego para se proteger, por a vítima estaria os ameaçando de morte. ''No entanto, acredito que este crime tenha sido encomendado por um outro adolescente, por causa de dívidas relativas a drogas. Diego era dependente de crack e frequentava a esquina das Avenidas Juscelino Kubitschek e Rio Branco (Zona Oeste), onde pedia dinheiro para sustentar o vício'', contou.
A morte de Diego expõe os problemas de superlotação no Ciaadi desde novembro de 2004, quando a Unidade Social Oficial de Internamento de Londrina (Usoil), o Educandário, foi interditada para reformas. O Ciaadi passou a receber todos os menores apreendidos e, até a noite de sábado, abrigava 56 jovens, 22 a mais do que a capacidade total. ''A superlotação de todo o sistema de internamento, com certeza, colaborou para o que vimos no sábado. Pedíamos a transferência de adolescentes desde o início do ano, quando percebemos que o clima aqui estava tenso, mas a falta de vagas impedia'', afirmou. Em caráter emergencial, a promotora conseguiu ainda no sábado a transferência de nove menores para unidades de Curitiba e Foz do Iguaçu.
A presidente do Instituto de Ação Social do Paraná (Iasp), Thelma de Oliveira, esteve ontem em Londrina e comentou que a morte foi uma surpresa para todos os funcionários do Ciaadi. ''Eles me disseram que o fato ocorreu em menos de 20 minutos'', contou. Ela também declarou que os internos alegaram que não houve gritos, por isso não perceberam nada.
De acordo com Thelma, os dois adolescentes que dividiam a cela com Diego eram reincidentes e estavam internados provisoriamente. ''A polícia já abriu um inquérito para apurar o crime. Os relatórios oficiais da unidade também vão ser vistos e será aberta uma sindicância.'' Ela esteve reunida com a direção do Educandário para verificar como estão as obras. A reforma deve ser concluída no final de março. (Colaborou Camilla Rigi)

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