Jovem brasileiro
é despreparado para
escolher profissão
Na opinião da coordenadora do programa de orientação vocacional do Departamento de Psicologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Luciana Valore, os adolescentes e jovens brasileiros ainda não estão preparados para responder ao questionamento ‘‘o que eu vou ser quando crescer?’’. ‘‘Com raras exceções, entre o fim da adolescência e o começo da vida adulta, não sabemos o que queremos’’, avalia a psicóloga, que é mestre em psicologia social.
Luciana Valore diz que hoje, com menor intensidade, a opinião dos pais influencia na escolha do futuro profissional dos filhos. ‘‘Os jovens sentem falta de dialogar com a família. Afinal, não estão compatilhando a escolha de uma profissão, mas de um projeto de vida.’’ Na verdade, afirma ela, a grande maioria dos jovens ainda não está madura o suficiente para um decisão tão importante e tampouco considera as sugestões de outras pessoas.
Para a psicóloga, se no ensino fundamental e médio os programas de orientação vocacional fossem mais aprofundados, os vestibulandos teriam mais capacidade para decidir qual carreira seguir. ‘‘É importante mostrar quais são as perspectivas profissionais e sociais para qualquer tipo de emprego, mas não podemos deixar de lado a formação psicológica dos adolescentes.’’
Apoio psicológico O programa de orientação vocacional do curso de Psicologia da (UFPR) começou a funcionar no ano passado. O serviço é grátis e, neste ano, contou com a participação de mais de 500 pessoas. Através do convênio com a Secretaria de Estado da Educação, o programa chegou a nove escolas públicas de Curitiba. O trabalho é realizado por nove estagiários do último ano do curso e mais oito alunos voluntários do 4º ano, sob a supervisão direta de uma psicóloga contratada pela universidade.
Entre os participantes, conta Luciana Valore, 80% estão na 2ª série do ensino médio. Passa de 5% a soma dos universitários que estão descontentes com a opção escolhida e procuraram o serviço. Estudantes do 3ª ano, alguns poucos da 8ª série do ensino fundamental e pessoas que terminaram o ensino médio, mas que não fizeram vestibular, também foram atendidas pelo serviço.
Diferentes perspectivas Para participar, os interessados são obrigados a fazer uma entrevista, que serve como triagem. ‘‘Muitas vezes, as pessoas podem estar com outros problemas psicológicos e até psiquiátricos, e não vão precisar somente da orientação para escolher sua profissão.’’ Neste caso, além de participar do programa, elas são encaminhadas para a clínica psicológica da UFPR.
Luciana Valore explica que, durante os dois meses e meio em que o programa é realizado, são usadas técnicas para incentivar o autoconhecimento e a motivação pessoal. Uma vez por semana é realizado um trabalho em grupo, que dura duas horas. ‘‘Observamos que os alunos de escolas particulares ainda se permitem sonhar mais alto, querem ser felizes ou em encontrar um ideal. Já quem está na escola pública pensa bem diferente: será que vou conseguir um emprego?.’’

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