Maringá A jornalista Jessica Arruda, 23 anos, repórter do diário Hoje, de Maringá, acusa o farmacêutico Renato Grein Junior, 38, de racismo. Irritado com a insistência da repórter em iniciar uma entrevista, Grein teria dito palavras ofensivas sobre a cor da jornalista, que é filha de mãe branca e pai negro. Depois do incidente, ocorrido na escada de acesso do escritório do farmacêutico, no final da tarde de quinta-feira, ela registrou queixa na 9 Subdivisão Policial. O delegado Nilson Rodrigues do Santos, que atendeu a ocorrência, deve abrir inquérito para apurar o caso.
Como Grein tem um contrato comercial com o jornal, que prevê produção de matérias sobre a farmácia de manipulação dele, a repórter foi escalada para entrevistá-lo no final do dia. Segundo ela, a conversa teria sido adiada uma única vez por iniciativa do comerciante. Chegando ao local, o acusado teria iniciado uma discussão dizendo que o jornal não estaria ''fazendo o trabalho direito'' e que não daria entrevista. ''Quando estávamos subindo a escada, tentei convencê-lo a conversar, dizendo que estava tudo bem e que tínhamos que fazer a entrevista. Ele disse que não iria responder nada e me mandou ir embora, me chamando de negra encardida'', acusou a repórter, formada há um ano na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Segundo ela, enquanto prestavam depoimento na delegacia, o farmacêutico teria ameaçado usar de suas influências para tirar o emprego da repórter. ''Ele disse isso para minha mãe. Fiquei transtornada, pensei em não fazer nada, mas fui à delegacia porque decidi buscar meus direitos... Pago imposto como ele'', ponderou.
Grein nega a acusação. Ele confirmou o contrato com o jornal, mas disse que nunca desrespeitou ou ofendeu funcionários do periódico. O farmacêutico disse ainda que vai processar a repórter e a mãe dela, que é promotora de Justiça, por danos morais. Segundo ele, logo após a discussão com a jornalista, a promotora invadiu a farmácia com a presença de policiais militares. ''Ela não tinha mandado e já foi dizendo que eu estava preso. Sou um cara tranquilo, nunca tive problema com ninguém e sempre procurei cuidar do meu trabalho'', defendeu-se. Minutos antes da discussão com a repórter, o farmacêutico teria dito que não poderia participar da entrevista porque teria de resolver problemas da empresa.
A Folha ligou para a promotora no início da noite, mas não conseguiu localizá-la.

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