Josair agora sonha com o curso superior
O estudo chegou tarde, depois dos 24 anos, mas transformou a vida de Josair Ribeiro de Souza, atualmente com 27 anos, funcionário da indústria de baterias Reifor, de Londrina. Em menos de três anos, após participar do projeto escola-empresa, da própria Reifor, ele saiu da condição de semi-analfabeto - como ele mesmo definiu - para hoje já estar apto a postular até uma vaga no ensino superior. Não é qualquer pessoa que faz isso. Foi um estudo corrido, difícil. Eu não podia parar senão ficava para trás, não acompanhava mais os outros. Mas no final deu tudo certo e valeu muito a pena, comemora.
Josair Ribeiro - que hoje mora em Cambé, é casado e tem um filho - recorda que quando era criança chegou a frequentar a escola até o terceiro ano do primário, no distrito de Warta. Sabia ler e escrever, mas muito pouco. O estudo era muito fraco, lembra. A necessidade de ajudar os avós, no entanto, fez com que ele abandonasse a escola para poder trabalhar na roça. Não foi uma decisão fácil. Parei não foi por falta de vontade, mas por necessidade mesmo. Depois, chegava a sonhar que estava dentro de uma sala de aula, de tanta vontade de estudar, diz.
Há seis anos, quando entrou na empresa, Josair não tinha muita perspectiva de voltar a estudar porque achava que as dificuldades seriam muito grandes. Mas quando começou o projeto escola-empresa ele foi um dos primeiros a mostrar interesse, e passou a ter aulas na própria Reifor. Matriculou-se desde o primeiro ano e, aplicado, em poucos meses já tinha concluído a quarta série. Depois, em um ano e meio, terminava a oitava série. Em seguida, procurou escola particular e, também com ajuda da empresa (inclusive financeira), concluiu todo o segundo grau em pouco mais de um ano. Agora só falta pegar o certificado.
A mudança de vida, segundo Josair, foi radical. Quando entrou na empresa, por exemplo, foi contratado como ajudante de produção. Logo que começou a fazer o segundo grau, foi promovido a operador líder. A leitura de jornais, até então uma coisa distante, passou a fazer parte de seu dia-a-dia. Entender os processos políticos da Cidade, Estado ou País, também ficou muito menos complicado do que era anteriormente.
Até o comportamento da gente mudou. Antes eu tinha dificuldade para conversar com as pessoas, e hoje tenho mais segurança. Na empresa, passei a me relacionar com mais gente, a participar da política da empresa, participo também de reuniões com outros setores, aponta, com orgulho. A idéia dele, a partir de agora, é até a metade do ano que vem participar de cursos de especialização profissional, para ajudar no trabalho. Depois, pretende começar a pensar na possibilidade de prestar vestibular. Não penso em parar de estudar.
Por enquanto, Josair espera que seu exemplo e também o exemplo de colegas que aproveitaram a chance de estudar sejam aproveitados por outros funcionários da empresa. Se eu consegui, eles também têm condições. Porque hoje, se você não tiver pelo menos o primeiro grau, não consegue nem fazer ficha numa empresa para pedir emprego, ensina. (L.H.)





