Jornalista suspeita de mandar matar marido é liberada
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 04 de março de 2004
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba Foi liberada, ontem à tarde, a jornalista Rosana Grein, presa há duas semanas suspeita de ter mandado matar o próprio marido, o jornalista e apresentador de tevê Nilton Saciotti, no dia 17 de fevereiro. O habea corpus foi concedido, na manhã de ontem, pelo desembargador Telmo Cheren, do Tribunal de Justiça (TJ).
Rosana foi apontada como mandante do crime pelo guardador de carros Claudinei da Silva, 26 anos, preso no dia 26 de fevereiro, por porte ilegal de arma. Silva confessou ter participado da tentativa de homicídio e disse que foi contratado, juntamente com um adolescente, pela mulher do jornalista, que teria prometido pagar uma recompensa pelo crime.
O advogado de Rosana, Elias Mattar Assad, embasou o pedido de habeas corpus em três pontos diferentes: o fato da prisão ter sido determinada por um juiz de Curitiba e não de São José dos Pinhais onde o crime ocorreu; excesso de prazo para conclusão de inquérito com réu preso (o máximo seria 10 dias); e pelo fato da jornalista não ter antecedentes.
Casal foi rendido quando saia de casa, no início da tarde, por dois homens que se esconderam na caminhonete que o jornalista dirigia. Rosana teve que assumir a direção e teria se perdido por uma rua secundária, perto da BR-277, já em São José dos Pinhais, quando os assaltantes dispararam cinco tiros na cabeça do jornalista. Rosana teria conseguido fugir do local do crime. Nenhum dos tiros atingiu o cérebro do jornalista. Saciotti passou por cirurgias e passa bem. Ele já deixou o hospital. O delegado responsável pelas investigações, Osmar Antonio Dechiche, de São José dos Pinhais, afirmou ontem que tem elementos e provas suficientes para encerrar o inquérito. Mas só deve divulgar quais são na próxima terça-feira.
A jornalista voltou a negar, ontem, que tenha contratado os dois rapazes para matar o marido. Bastante nervosa, Rosana disse que o marido já tinha sido vítima de Silva que, no dia 13 de fevereiro, teria tentado assaltá-lo. Segundo ela, o marido teria reagido e o rapaz prometeu vingança.
Rosana não soube explicar o motivo pelo qual os assaltantes deixaram que ela fugisse. Segundo ela, os bandidos teriam ficado comovidos quando pediu para que a deixassem viva. A Folha tentou falar ontem com Saciotti, mas ele não atendeu aos telefonemas.


