Jornalista nega ter sido vítima de crime passional
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quarta-feira, 14 de junho de 2000
Lúcio Flávio Moura De Londrina 
O jornalista Tarciso de Carvalho, 31 anos, que se diz vítima de um atentado político ocorrido na noite de sábado em Ibaiti (94 km ao sul de Jacarezinho), negou ontem em depoimento ao delegado Italo César Sêga, que a dona de casa V.S.O., 17 anos, estava com ele no carro no momento em que dois homens armados o abordaram em seu carro.
No suposto atentado, Carvalho foi espancado, arrastado por aproximadamente 200 metros e teve o carro, documentos pessoais e uma máquina fotográfica incendiados. Dois homens armados ambos altos e fortes, um moreno, outro branco seriam os responsáveis pela agressão.
Segundo a vítima, a adolescente estava do lado de fora do veículo com o filho de um ano e meio no colo. Ela só estava conversando, me pedindo um favor que já havia me comprometido a fazer. Não tenho nada com esta moça. Aliás, devo minha vida a ela, que é testemunha da agressão e impediu que me acontecesse o pior. Estão fazendo pressão para ela dizer que tem um caso comigo. É um absurdo. Tudo isto é uma armação para encobrir um crime político, disse o jornalista à Folha.
Nas investigações preliminares ao inquérito, V.S.O., acompanhada de membros do Conselho Tutelar, teria admitido que estava no carro com o jornalista. A polícia continua apostando na hipótese de crime passional e hoje ou amanhã deve ouvir o companheiro da adolescente um operário desempregado.
De acordo com o delegado Sêga, Carvalho disse que com tantas confusões que são provocadas pelo conteúdos das reportagens do seu jornal (o Gazeta Verdade do qual é editor-chefe) ele não sabia de quem suspeitar.
Em entrevista dada à Folha no domingo, o jornalista se dizia vítima de uma ação intimidatória de grupos políticos ligados ao prefeito Roque Fadel, alvo de denúncias feitas em um dossiê entregue à Promotoria de Investigações Criminais (PIC) em Curitiba e em várias reportagens publicadas pela Gazeta Verdade.
O advogado do jornalista, Antônio Carlos Neto, afirmou que seu cliente preferiu ser cauteloso no depoimento e não acusar ninguém sem provas. Quem deve apurar a autoria do atentado é a polícia e não a vítima, que levou uma coronhada e desmaiou, argumentou.
Nos próximo dias, peritos do Instituto de Criminalística de Londrina devem ir a Ibaiti para colher dados do que sobrou do carro do jornalista. O veículo permanecia ontem no local que foi incendiado, nas proximidades do Conjunto Paineiras. A polícia quer saber que substância foi usada para incendiar o veículo.


