Jornalista não acredita em democracia total na Internet
Dimitri do Valle
De Curitiba
Quem acreditar que a Internet é um veículo para democratizar a informação trate de não defender esta tese perto do jornalista Paulo Henrique Amorim. Ele lança uma visão nada otimista sobre a rede mundial de computadores. A Internet pode ser um meio de agravamento da distribuição de renda, observa Amorim, que fez palestra sobre Liberdade de Imprensa no Memorial de Curitiba.
Em conversa com jornalistas na sede do sindicato da categoria, na capital, Paulo Henrique disse ontem à tarde que a Internet só serve para aumentar a distância entre os que sabem e os que não sabem. A tendência é de que esse processo continue a crescer caso a Web seja dominada por oligopólios, principalmente, os gigantes da comunicação nos Estados Unidos. Mesmo com um quadro desfavorável, Amorim defende que os jornalistas conquistem espaços para exercerem o trabalho de informar com isenção e independência.
A Internet é uma indústria em processo acelerado de oligopolização e cabe ao jornalista abrir os seus espaços nesta indústria, acrescenta. Irônico e mordaz, Paulo Henrique Amorim não deixou de criticar a busca desenfreada por índices de audiência nas emissoras de tevê do País.
O Ratinho (o apresentador Carlos Massa, do SBT) é o diretor de programação da Rede Globo, observa o jornalista. Amorim acredita que os telejornais buscam apenas reportagens que possam produzir impacto para atrair a atenção do telespectador. Ele lembra que jornalismo não é espetáculo e o jornalista não pode se preocupar com índices de audiência. Amorim também defendeu que o diploma de jornalista não deveria ser obrigatório. O diploma, segundo ele, é responsável, em boa parte, pela baixa qualidade da imprensa brasileira. Depois de um período fora da tevê, quando saiu da Rede Bandeirantes, Paulo Henrique Amorim volta à cena com um programa de entrevistas na TV Cultura.





