Dentro de cada casa grega, é possível sentir a tensão causada pela guerra. São 24 horas de notícias de conflito e destruição. A televisão está sempre ligada e todas as atenções voltadas para a destruição da Província do Kosovo.
A imprensa grega tenta mostrar o que realmente acontece no conflito. ‘‘O governo pode tentar algum controle através da mídia, mas isso é quase impossível, pois muitos jornalistas são contra a guerra e os telejornais não escondem a destruição’’, afirma o jornalista Angelos Misirlis, repórter cinematográfico do canal Antena 1, um dos mais importantes da Grécia.
Angelos vive atualmente na Iugoslávia e é o enviado especial da empresa em que trabalha, dando total cobertura ao conflito. Ele esteve na Guerra da Bósnia, mas diz que pela primeira vez na vida presencia um conflito de tamanha destruição. Antes de vir à Grécia por alguns dias ‘‘para refrescar seus ânimos’’, como afirma, estava na cidade de Pristina, capital da província do Kosovo, um dos alvos da Otan ‘‘Não se sabe exatamente qual é o número de mortos, mas aproximadamente 80% da cidade está sob escombros. A guerra da Bósnia era uma guerra controlada, onde era possível ver o inimigo. Na guerra do Kosovo, ao contrário, é impossível de se ver o inimigo, e se escuta o som de bombas o tempo todo’’, relata o jornalista.
Em Pristina, apenas jornalistas russos e gregos são aceitos pelo governo sérvio. A condição dos profissionais de imprensa não é nada segura, segundo Aris Katsoudas, repórter cinematográfico do Star Chanel, outro canal de grande audiência na Grécia. Ele descreve uma cena de pânico:
- A 70 metros de meu quarto, caiu uma bomba. A terra tremeu e os vidros do hotel foram destruídos. Ficamos sem dormir mais de 30 horas. O hotel onde está a imprensa não nos dá mais nenhuma segurança, principalmente porque toda a comunicação militar sérvia foi transferida para o mesmo hotel, após o bombardeamento do prédio oficial.
Katsoudas lembra que os 12 jornalistas gregos hospedados no local comunicaram a situação de perigo ao Ministério das Relações Exteriores da Grécia. A resposta da Otan ao governo grego, segundo o jornalista, foi seca: ‘‘Não importa, a comunicação militar é nosso alvo.
Mesmo assim, Katsoudas se prepara para voltar ao palco da guerra em poucos dias.
Os dois jornalistas acreditam que esse conflito pode se tornar a Terceira Guerra Mundial. Eles admiram os sérvios pela força e resistência em meio a tanta destruição.
Aris Katsoudas comenta:
- É difícil dizer se a Iugoslávia sozinha sobreviverá. Mas, se a guerra acabasse hoje, sobreviveria pela força e coragem de seu povo. Mesmo com o drama dos refugiados que deixam suas casas sem proteção alguma, com fome e doentes antes de atravessar as fronteiras, os sérvios lutam contra a dominação americana. (C. F.)

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