De volta ao Brasil há pouco mais de um mês, a jornalista Adriana Yumi conta que acompanhou pelos jornais brasileiros que circulam no Japão o crescimento da violência entre os nikkeys. ''Quase toda semana tinha alguma matéria de um brasileiro que roubou carro ou toca- CDs. Teve até um caso de roubo de caixa-forte.''
Com a experiência de ter um pai que mora há 13 anos no Japão e uma irmã há três, a jornalista avalia que muitos dekasseguis não estabelecem vínculos com o país, o que dificulta que eles tenham respeito pela nação. ''Quando minha irmã foi para lá tinha toda uma estrutura formada. Lojas, discotecas e restaurantes de brasileiros. Eles acabam tendo pouco contato com os japoneses''.
O receio de alguns nikkeys de sofrerem discriminação, aliados à cultura reservada do japonês, dificultam ainda mais a integração. ''Eu não tive problemas. Desta vez fiquei em uma cidade que quase não tinha brasileiros e eles (japoneses) me receberam muito bem. Mas alguns amigos meus contavam que tinham dificuldades para fazer amizades'', lembrou. Ela confessa que tinha medo da reação dos japoneses. ''Eu me preocupava em não ser reconhecida como brasileira, por tudo que a gente ouve aqui''.
A jornalista viajou para o Japão porque ganhou um bolsa de estudos da província de Yamagata para desenvolver projeto sobre a realidade dos dekasseguis. Um ano depois, ela conta que só pensa em voltar para o Oriente se for para estudar. ''Como os brasileiros fazem o trabalho braçal são vistos de outra maneira''. (C.R.)

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