Jornaleiro cria sala de leitura em sebo
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quarta-feira, 02 de julho de 1997
Sid Sauer Campo Mourão 
Sid SauerOrgulhoOzires Danega em meio aos livros, revistas e exemplares de gibis antigos, sua grande paixão Agora é possível ler livros, revistas e gibis por hora em Campo Mourão. A novidade foi implantada pelo comerciante José Ozires Danega, 47 anos, que instalou uma sala de leitura num sebo que mantém desde o início do ano na cidade.
A leitura custa R$ 0,90 por hora e pode ser feita todos os dias, inclusive aos domingos. Quem quiser também pode ler em casa. A locação de um livro novo custa R$ 1,50 por dia, mas um usado pode sair por até R$ 0,30. No acervo, estão cerca de dois mil livros e uma infinidade de revistas em quadrinhos, que são a paixão de Danega.
Se o acervo de livros não chega a causar inveja às bibliotecas públicas da cidade, Denega se orgulha dos gibis. A coleção inclui raridades como um exemplar de Globo Juvenil, de 1947, e gibis do Tarzan editados no início dos anos 50. Esses, Denega não deixa ninguém levar para casa. Quem quiser, tem que ler aqui.
O jornaleiro diz que faz esse trabalho em homenagem aos saudosistas, mas não esconde uma certa decepção. Pensei que fosse ter mais movimento, queixa-se. Preciso cobrir pelo menos o aluguel da sala (R$ 250,00).
Trocas Por enquanto, a sala de leitura, por exemplo, tem apenas um leitor fiel, que comparece ao local pelo menos duas vezes por semana. A locação de livros também é baixa. Denega só não tem do que se queixar das trocas. Em geral, ela é feita no sistema de dois por um.
A troca está funcionando bem, mas não entra dinheiro no meu caixa, lamenta. O sebo só ainda não fechou porque o comerciante mantém ao lado um fliperama. Infelizmente os jovens de hoje dão mais valor aos jogos eletrônicos do que à leitura.
Para incentivar a leitura, Denega chegou a dar um gibi da turma da Mônica para os frequentadores do fliperama, mas não teve o retorno esperado. Pelas suas contas, ele precisaria ter um movimento de pelo menos 10 pessoas por dia usando a sala de leitura e locando livros.
Apesar de pequena, a meta ainda está longe de ser alcançada. Talvez esteja faltando costume, diz. Os preços são bons e há opções para todos os gostos.
O acervo inclui desde livros religiosos e técnicos até revistas eróticas. Entre os gibis, há publicações em espanhol, inglês e francês.


