Jornal dá forma a brincos e colares
''Eu não faço reciclagem, não transformo papel usado em papel novo. Eu reaproveito o papel usado como matéria-prima para o meu artesanato.'' Essa é a relação da artesã Vanira Codato com o papel. Trabalhando com artes gráficas por mais de 20 anos, ''no tempo em que não tinha computador'', ela decidiu dedicar-se à reutilização do material, ''que é feito de fios, como um tecido, e tem elasticidade e corte'', há pouco mais de dez anos, começando com papel machê.
''Como ele se deteriora muito rápido, passei a usar jornal e desenvolvi uma técnica com base no papel dobrado'', comenta Vanira, que ao decidir produzir arte em papel passou os últimos dez anos trabalhando das 7 às 20 horas. Da compulsividade surgiram peças decorativas, como estátuas e painéis, e bijuterias, como colares, brincos e anéis, feitos só de jornal velho e aproveitando ao máximo as cores próprias da publicação. Finalizadas, as peças são impermeabilizadas e podem até ser lavadas, ''é só não deixar de molho''.
Por quatro anos a artesã comercializou a arte na feira Feito a Mão, mas hoje só faz peças por encomenda. ''Eu acredito que quando você compra uma peça artesanal está comprando a arte e não o material de que é feita. Se não for assim, uma tela é só um pedaço de pano'', compara.
Para ela, as pessoas ainda têm a ideia de que o papel é deteriorável quando, na verdade, ''é o produto mais plástico e resistente do mundo''. ''Ele é usado para tudo. Sem ele não haveria civilização.'' Ainda conforme Vanira, é a técnica que dá valor ao material: ''Em cima da ideia dos canudinhos de papel, que aprendemos na escola, desenvolvi uma técnica de corte para a produção das peças que depois de prontas, são únicas''. (M.G.)
Serviço
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