Jornal como ferramenta pedagógica
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quinta-feira, 27 de agosto de 2015
Aline Machado Parodi<br>Reportagem Local 
Cambé A Associação de Pais e Amigos de Excepcionais (Apae) de Cambé (Região Metropolitana de Londrina) realizou ontem, na Escola Especial Oswaldo de Jesus, uma feira cultural com os trabalhos realizados pelos alunos durante o primeiro semestre do ano. A atividade faz parte da Semana Nacional do Portador de Necessidade Educativa Especial que termina hoje. Os alunos desenvolveram projetos nas áreas de saúde, ciência, percepção de imagem, artesanato e artes.
A feira recebeu a visita de estudantes das escolas públicas e privadas de Cambé. "A feira é uma forma de mostrarmos à comunidade o trabalho realizado na escola", disse Janaina Grasiele Duarte, coordenadora pedagógica da Apae de Cambé.
Entre os trabalhos em exposição estava o "Explorando Jornal", projeto em que os professores utilizaram a Folha de Londrina como ferramenta de alfabetização e aprendizado e como matéria-prima para as aulas de artes e confecção de artesanato.
O jornal foi utilizado pelas turmas da educação infantil e da educação de jovens e adultos (EJA). "O jornal tem muitos gêneros como quadrinhos, charge, notícias de política, esporte, anúncios e isso vem complementar o aprendizado dos alunos. Ele entra como mais um recurso pedagógico", explicou Janaina.
O resultado da inclusão da Folha de Londrina nas salas de aula surpreendeu os professores. "É algo totalmente novo. É outra forma de aprendizado. Só o ato de folhear o jornal é uma conquista para os alunos com deficiência motora", exemplificou a coordenadora.
Na feira cultural foram apresentados dois trabalhos do projeto. Os alunos da educação infantil montaram um grande jornal com recortes, desenhos e receitas. Os do EJA trabalharam com a imagem. "Como eles não sabem ler, trabalhei com a imagem", disse a professora Leila Pavanelli.
Leila introduziu o jornal aos poucos. Começou explicando a função do jornal e dos cadernos. "Eles aprenderam a identificar o que é notícia, o que é anúncio e que a sua função é informar."
Renan Lopes, de 16 anos, era um dos mais entusiasmados com a feira e se apressou em mostrar o trabalho que fez. As reportagens de esporte e os anúncios de carro são o que mais chamam a atenção do adolescente. "Gosto de olhar no jornal os anúncios de carros. Eu gosto de carros", contou. A turma da professora Leila também utilizou os exemplares da FOLHA para fazer peças de artesanato como vasilhames e até um relógio.
A qualidade dos trabalhos expostos na feira cultural chamou a atenção do professor Luciano Moraes Cardoso e da coordenadora de Educação Especial da Secretaria Municipal de Educação de Cambé. "Estou bastante surpreso com a qualidade dos trabalhos apresentados, percebe-se que são produção das crianças mesmos", disse Cardoso.
Eles aproveitaram a visita à feira para trocar ideias com os professores. "São projetos que podemos fazer com os alunos de inclusão na rede pública. Vivemos sugar algumas ideias", brincou o professor.
A Escola Especial Oswaldo de Jesus atende 267 alunos na educação infantil, ensino fundamental e EJA.


