Curitiba - A agressão física ou psicológica deixa marcas negativas profundas na construção da personalidade de uma pessoa. Muitos distúrbios e comportamentos perigosos para ela mesma e para a sociedade podem ser explicados a partir de uma infância violenta. Há um ano, o Ambulatório da Criança Vítima de Violência no Hospital de Clínicas da (HC) Universidade Federal do Paraná (UFPR) busca amenizar os estragos provocados pela agressão, ao atender semanalmente entre 40 e 60 pessoas - entre vítimas e familiares. Em mais de 90% dos casos, os agressores são os pais ou o responsável.
Para comemorar o aniversário do ambulatório, segue até amanhã a jornada Marcas da Violência na Infância e Adolescência, no Setor de Saúde da UFPR. O objetivo é reciclar os profissionais e discutir as marcas da violência na infância e na adolescência.
A médica Luci Pfeiffer explica: ''O dano aparece de vários modos. Na criança pequena, há um atraso do desenvolvimento, pois não se relaciona com amigos e há um baixo rendimento escolar. Na adolescência, pode aparecer um comportamento sexual desregrado e um sentimento de inferioridade que reflete em fracassos nas relações pessoais e profissionais'', relata a especialista.
A tragédia tem cura. Pfeiffer alerta para um acompanhamento também da família. ''É corriqueiro o agressor estar bem perto. Se ele agride, é porque também está doente e precisa de ajuda. Sem isso, o trabalho de recuperação é lento'', afirma.

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