A ampliação da jornada de trabalho dos servidores do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que passou de seis para oito horas diárias no início desta semana, pode levar a categoria a deflagrar uma greve nacional na segunda quinzena de junho. Uma resolução do INSS publicada no final de maio deste ano determinou o funcionamento de todas as agências da previdência das 7 às 19 horas e o atendimento ao público das 8 às 18 horas. O texto também estabelece jornada de 40 horas semanais para os servidores.
No último sábado, uma
assembleia realizada pelo Sindicato dos Servidores Públicos Federais em Saúde, Trabalho, Previdência Social e Ação Social do Paraná (SindPrevsPR) decidiu paralisar as atividades por tempo indeterminado a partir do dia 15 de junho. A proposta será discutida no próximo sábado em Brasília, durante plenária da Federação Nacional dos Servidores do INSS, do Ministério da Saúde, da Funasa, da DRT e da Anvisa (PRP). Segundo a diretora do SindiPrevsPR em Curitiba, Jaqueline Mendes de Gusmão, é provável que nesta reunião sejá definida apenas a data da paralisação, já que é a maioria dos estados já optou pela greve.
A principal reivindicação dos trabalhadores previdenciários é que a jornada de trabalho seja composta por dois turnos de seis horas diárias. A resolução do INSS prevê a possibilidade de jornadas semanais de 30 horas, mas os servidores que optarem por essa situação terão o salário reduzido proporcionalmente. Para o diretor paranaense do SindPrevsPR, Moacir Lopes a medida é "absurda", pois existem cidades, como Dois Vizinhos (46 km ao norte de Francisco Beltrão) onde existe apenas um servidor. "Ele vai ficar 12 horas por dia?", questiona.
O problema por trás desta resolução, segundo Lopes, é a falta de funcionários na previdência. Apesar de terem sido feitos concursos para essa área no início de 2009, até o momento ninguém teria sido contratado. Lopes afirma que enquanto a decisão sobre a greve não for acertada a orientação do sindicato é que os servidores não cumpram a nova jornada. Ele argumenta ainda que existe um decreto presidencial de 2003 que estabelece um limite de 30 horas semanais para o setor
público.
De acordo com o gerente do INSS em Curitiba, Altamir da Silva Cardoso, a resolução federal não trouxe muitas mudanças concretas nas agências de Curitiba. Segundo ele, o funcionamento das 7 às 19 horas já era realizado na Capital através de 2 turnos de seis horas. A diferença apontada por Cardoso é que antes eram seis horas sem horário de almoço e agora serão oito horas com direito a almoço. Para Cardoso os meses de junho e julho serão um período "de adaptação", onde serão ajustados os horários de trabalho. Ele afirma ainda que haverá compensação salarial pela extensão da jornada.

Serviços
A discussão sobre as mudanças na jornada de trabalho passou desapercebida pela aposentada Maria de Lourdes Borges, 78 anos, que esteve ontem na agência do INSS no Centro de Curitiba. Para ela, a situação de hoje é bem melhor daquela encontrada por ela há anos atrás, quando era preciso entrar na fila ainda de madrugada para ser atendida. "Às 14 horas acabava tudo", lembra ela. O metalúrgico Elias da Silva Freitas, que precisou dos serviços previdenciários pela primeira vez, considerou o atendimento rápido. Ele demorou uma hora e dez minutos para agendar uma perícia médica.
O sistema de atendimento da previdência vem mudando desde 2006. Entre outras alterações, as filas foram reduzidas com a possibilidade de agendamento dos atendimentos pelo telefone 135 ou pela internet.

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