Londrina

Josoé de CarvalhoDesvio de funçãoVereador fala ao promotor Galatti: assessores vieram da ComurbDos dois vereadores chamados para depor ontem em inquérito civil público que apura as 212 constratações irregulares feitas pela Companhia Municipal de Urbanização (Comurb), e suas consequências, apenas Jorge Scaff (PDT) compareceu. Ele admitiu que dois contratados da Comurb trabalhavam em seu gabinete.
Jaci Aguiar (PDT) não foi ao Fórum pela segunda vez - ele deveria ter prestado depoimento semana passada - nem justificou sua ausência. O promotor de Defesa do Patrimônio Público, Bruno Galatti, não quis adiantar que medida poderá tomar em relação à ausência de Aguiar, observando apenas que pode concluir seu relatório sem o depoimento do vereador. O inquérito já soma 7 volumes e soma 1.490 páginas.
Segundo Jorge Scaff, ao assumir o cargo cada vereador podia ter em gabinete três pessoas trabalhando, sendo uma delas disponibilizada pela Prefeitura. Dos dois cargos restantes, um já havia sido preenchido. O outro estava sendo disputado por Felipe José Munhoz e José Fernandes. De acordo com o vereador, Fernandes foi contratado e fez um acordo com Munhoz, através do qual os dois trabalhariam no gabinete e dividiriam o salário, até que Munhoz pudesse arrumar outro emprego.
A oportunidade surgiu com a informação de que a Comurb estaria contratando pessoal. ‘‘Felipe soube e pediu para que eu o indicasse. Conversei com Cléber Tóffoli (então presidente da Companhia) e depois com o Eduardo Alonso (diretor executivo).’’
Ainda de acordo com o depoimento do vereador, poucos dias após a contratação de Felipe Munhoz, ele retornou ao gabinete e disse que iria trabalhar no terminal rodoviário do jardim Acapulco (zona sul), mas não poderia assumir imediatamente suas funções por problemas administrativos.
‘‘Ele pediu para ficar trabalhando no meu gabinete e eu aceitei.’’ Durante os cerca de três meses em que Felipe Munhoz trabalhou no gabinete sendo contratado pela Comurb, Jorge Scaff assinou uma lista de presença do funcionário, que era apresentada mensalmente à Companhia. Scaff não soube informar para quem a lista era apresentada.
O mesmo caso ocorreu com outra pessoa indicada do vereador, sua sobrinha Edna Campana. Scaff disse que telefonou para a Comurb - não se lembra se falou com o diretor executivo Eduardo Alonso ou com o chefe de pessoal João Batista. A princípio, conforme o vereador, ela prestaria serviços no Detran. Mas Edna acabou indo para o gabinete. ‘‘Não me lembro o que ela me explicou para não começar a trabalhar no Detran’’, afirmou.
Ela trabalhou cerca de dois meses com Scaff. Edna e Felipe recebiam cerca de R$ 515,00. A terceira indicada por Jorge Scaff, Marlene Mercadante, prestou serviços na Cohab. ‘‘Eu não pedi para a Comurb me mandar nenhum funcionário. Se tem alguma coisa errada, eles (a Comurb) é que têm que prestar conta disso’’, comentou o vereador.
O promotor Bruno Galatti esclareceu que não há suspeita de que o vereador Jorge Scaff tenha recebido os salários dos indicados em sua conta bancária. Ele está sendo ouvido porque seu nome foi relacionado à cessão irregular de funcionários. Por enquanto, o único suspeito de ter recebido os salários das pessoas indicadas por ele é o vereador Orlando Soares Proença (PDT), o ‘‘Bonilha’’. Dos 212 funcionários contratados irregularmente pela Comurb, 44 estavam a serviço de vereadores.
O promotor informou ontem que poderá intimar o pastor José Maria Góes para depor novamente. Ele era assessor de Orlando Bonilha e, após confirmar que ele e o vereador recebiam dinheiro dos indicados em suas contas bancárias, foi exonerado do cargo. O pastor diz ter muitas informações a acrescentar em seu depoimento. ‘‘O que tenho a dizer pode comprometer outras pessoas do cenário público.’’

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