Um universo de criaturas fantásticas; uma cidade onde você pode se tornar o líder de uma gangue; tudo ao alcance de um clique. Além de prazer, adeptos dos jogos on-line têm a oportunidade de conversar com outros usuários. E justamente por isso, pais de crianças e adolescentes que frequentam essas comunidades devem ficar atentos, para reduzir o risco deles divulgarem dados confidenciais.
A psicopedagoga Vania Mestre, de Londrina, avalia que, embora os jogos virtuais tenham um valor positivo na formação cognitiva da criança e estimulem o raciocínio, também apresentam perigos, principalmente para aqueles que têm até 11 anos. ''Os pais devem olhar o que o filho está fazendo, que conteúdo estão jogando e com quem está conversando. Existem muitas pessoas que buscam se aproveitar dessa situação para conseguir dados ou praticar crimes sexuais.''
A proteção dos filhos é uma preocupação constante, mas para saber como e com quem as crianças estão estabelecendo contato é preciso criar um bom relacionamento familiar. Uma dica é se tornar mais um dos jogadores. ''Os adolescentes talvez não gostem muito no início, mas essa é a chance que o pai tem de mostrar onde estão os perigos ou ações que não seriam legais'', diz.
Para Vania, a figura de um pai presente, capaz de participar até mesmo de recreações, estimula até mesmo que o jovem sinta liberdade para expôr outros temas. Mais um fator importante nessa relação é estabelecer regras e ter certeza de que o filho às entendeu, segundo a psicopedagoga.
Muita conversa e controle de conteúdo são maneiras mais eficazes para que crianças e adolescentes não caiam nas armadilhas, mas como manter essa postura, quando o ambiente é uma lan house? ''Cabe ao pai saber quem frequenta o local e até assinar um termo de autorização para que os filhos possam utilizar o computador.''
A profissional destaca ainda que a preocupação não deve estar restrita ao tipo de conversa na rede, mas também com os horários. ''É preciso criar limites de tempo, entre uma e duas horas, para que os filhos também não desenvolvam problemas como obesidade, distúrbios do sono, entre outros'', afirma.
Especialistas da área da computação afirmam que a internet é uma ferramenta em que o controle de conteúdo é praticamente impossível, mas, assim como Vania, acreditam que os pais cumprem papel fundamental na orientação dos jovens.
O professor Alan Salvany Felinto, que coordena o grupo de desenvolvimento de jogos da Universidade Estadual de Londrina (UEL), diz que os filhos reproduzem na rua o que aprendem em casa. Por isso, medidas básicas como evitar conversas com estranhos ou dar informações relevantes, como endereço de casa, nome completo e cidade. ''É sempre importante que os pais procurem jogar com os filhos para conhecer o universo do game e procurem conversar muito com eles.''

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