Albari RosaVioleta Estephan mostra a pirâmide de papelão: ‘‘Nem sempre o aluno consegue entender as figuras espaciais’’Ensinar Matemática brincando é o desafio dos professores que participam da Terceira Oficina de Recursos Didáticos para o Ensino da Matemática, no Centro Federal de Educação Tecnológica do Paraná (Cefet). Os professores aprendem a utilizar e até a confeccionar materiais pedagógicos que enriquecem as aulas, até então dadas apenas com quadro-negro e giz. A proposta é melhorar o aprendizado dos alunos, que, segundo pesquisa do Ministério da Educação, têm nota média de 3,5 no Brasil nessa disciplina.
A maior dificuldade no aprendizado, acreditam os professores, é compreender e aplicar os fundamentos da matemática. Por isso, uma das aulas do treinamento vai ser dada em Vila Velha, em Ponta Grossa. As formas esculpidas pelo vento servirão como problemas práticos e os professores vão, por exemplo, medir as sombras para aplicar a trigonometria. Eles vão aprender também como utilizar um software especialmente desenvolvido para o ensino da Matemática.
Este é o terceiro treinamento realizado pelo Cefet, que tem também uma sala com mais de 50 materiais elaborados na própria escola para facilitar o ensino. As peças foram feitas a partir de estudos de alunos e professores, adaptando estudos de laboratório de São Francisco (Estados Unidos). A coordenadora do projeto, Violeta Maria Estephan, explica que os materiais são apropriados para o ensino de segundo grau, mas alguns podem ser utilizados também por crianças.
Alguns materiais são simples, como uma pirâmide feita de papelão colorido, que pode ser aberta para que o professor mostre os elementos que a compõem. ‘‘Falando e tentando desenhar, o professor nem sempre consegue fazer com que o aluno entenda as figuras espaciais’’, diz a coordenadora. Uma balança feita de madeira auxilia no estudo de equações, por meio do equilíbrio, mostrando, por exemplo, que 5 + 2 = 3 + 4.
A ‘‘torre de Rinoi’’ é um quebra-cabeça que desenvolve o raciocínio lógico e a visão espacial. São três torres com algumas peças circulares de tamanhos diferentes. A maior fica embaixo e as outras na sequência por tamanho. O desafio é transferir todas as peças, uma de cada vez, colocando sempre as maiores embaixo. É um jogo simples, que qualquer criança pode tentar.
Segundo Violeta Estephan, esses materiais não são novos. Alguns eram usados no Antigo Egito. Ela diz que a pesquisa do Ministério da Educação que indicou o baixo rendimento dos alunos em matemática motivou a realização de treinamentos semelhantes em todo o País.
Numa das oficinas de Matemática realizadas no Cefet, em Curitiba, a coordenadora conta que se deparou com um psicólogo e perguntou a ele porque estava participando. ‘‘Para superar um trauma’’, respondeu o psicólogo. Violeta Estephan diz que traumas como esse são comuns e que cabe ao professor de matemática ajudar o estudante a superá-los de uma forma simples como 2 e 2 são 4: brincando.

mockup