Cena comum nas casas de classe média e alta no Brasil nos anos 1980. A mãe não sabe mais o que fazer para tirar o filho - criança ou adolescente - da frente do videogame. Três décadas depois, os aficcionados pelos jogos eletrônicos não precisam mais ficar dando desculpas para os pais. E muitos continuam jogando, com a diferença de que o briquedo evoluiu e hoje a diversão é no computador. E em rede.
Nas lan houses, por exemplo, adolescentes dividem o espaço com profissionais dos mais diversos ramos. ''Tenho clientes de advogados a policiais. O perfil é bastante diversificado'', comenta João Ferreira Júnior, responsável por uma casa de jogos eletrônicos na Área Central de Londrina. Ele estima que atualmente cerca de 70% dos clientes dele são adultos.
A rápida evolução dos jogos eletrônicos foi acompanhada de perto por muitos profissionais que, na adolescência, fizeram parte da chamada Geração Atari. A garotada que passava horas em partidas de Pac Man e River Raid não perdeu o fascínio pela diversão eletrônica porque os jogos também mudaram. Hoje, são mais elaborados e permitem, por exemplo, que milhares de competidores disputem partidas conectados à internet.
A complexidade dos chamados Role Playing Game (RPG) serve como um ímã para a atenção dos adultos das mais variadas idades. De acordo com afccionados pelos games, algumas das modalidades que mais fazem sucesso são os jogos de guerra e de esportes. E é a ação que mais atrai os jogadores.
Este é o caso do dentista e mestre em dentística Tiago Veras Fernandes, 27 anos, que diz preferir os jogos de ação e de esporte. E a principal atração do RPG, segundo ele, é a possibilidade de evoluir e competir com amigos e outros competidores on-line. Alguns deles chegam a reunir mais de 2 mil participantes.
Os eletrônicos sempre fizeram parte da vida dele. Fernandes estima que começou a jogar com ''3 ou 4 anos'' e que passou por várias etapas evolutivas dos games: Atari, Master System, Mega Drive, Super Nintendo, até chegar nos jogos pela intenet. O primeiro, revela, foi um equipamento chamado Tele Jogo, que contava apenas com quatro jogos diferentes.
Ainda hoje, Fernandes e os amigos disputam competições de futebol no Play Station. Ao todo, o dentista estima que joga de quatro a cinco vezes por semana, entre as disputas no videogame e no computador. Mesmo assim, não acredita que a diversão seja anti-social. ''É só não exagerar. Jogo quando não tenho nada melhor para fazer. Os jogos individuais podem até ser considerados anti-sociais, mas quando organizamos os campeonatos reunimos mais de dez pessoas'', argumenta.
A paixão virtual, no entanto, não compete com a real. O são-paulino garante que a turma não troca a oportunidade de assistir a uma jogo na tevê por um campeonato no videogame.

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