São Paulo No reino dos brinquedos, o herói do ano passado não é mais herói neste ano. Mas, para alguns bonecos e jogos, a fama não é assim efêmera. Falcon e seus olhos de águia, Playmobil, Forte Apache, Susi, Atari, Genius e War são alguns dos brinquedos que sobreviveram décadas na memória das pessoas.
Alguns sobrevivem também nas prateleiras. O Forte Apache da Gulliver está prestes a completar 40 anos e tem 25 mil unidades vendidas por ano. Isso porque o referencial dos filmes de cowboys, com lutas contra os índios americanos, nem existe para as crianças de hoje. ''Os pais entre 30 e 40 anos, que passaram a infância brincando com o Forte Apache, acabam comprando para os filhos'', diz Paulo Benzatti, gerente nacional de vendas da Gulliver.
O arquiteto Miguel Cerrato Jr, de 42 anos, conseguiu que as filhas Carolina e Beatriz, de nove e sete anos, aderissem ao brinquedo da infância dele. ''Comprei um Forte Apache há dois anos para elas, e hoje brincamos juntos'', diz Cerrato.
O portal Estadão (www.estadao.com.br) realizou uma enquete com os internautas, perguntando: ''Qual foi o brinquedo de que você mais gostou?''. Mais de 500 nostálgicos leitores participaram. O administrador Bruno Martini, de 27 anos, era fascinado por Falcons. ''Eu tinha uns quatro Falcons, que namoravam as Susis das minhas irmãs'', conta.
O War é um jogo que se recusa a envelhecer. Desde 1972, 1,2 milhão de jogos War foram vendidos. E até hoje a Grow vende 130 mil unidades por ano. A empresa recebe mais de 50 contatos por ano de pessoas com sugestões para mudar as regras do jogo. ''Eles sugerem incluir bombas atômicas e submarino no War, fazer o jogo com mais participantes'', conta Gustavo Arruda, gerente de produtos da Grow.
Outro que está longe de se aposentar é o jogo de cartas SuperTrunfo. Ao preço de R$ 8, a Grow vende 500 mil unidades por ano, com temas de carros e outros.
A indústria continua tentando decifrar o segredo do brinquedo inesquecível. Estrela, Grow e Gulliver empregam dezenas de funcionários para ''inventar'' blockbusters como a Susi, relançada em 1997 e hoje é das mais vendidas.
A Estrela tem uma exposição de brinquedos históricos na Casa dos Sonhos, que recebe a visita de 1.500 crianças por semana, e pais, durante os finais de semana. A empresa aproveita as visitas para pesquisar o gosto das crianças e, quem sabe, descobrir o ''próximo'' Banco Imobiliário, jogo vendido desde 1940, ou um substituto para o Autorama, brinquedo que virou até verbete do dicionário.

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