Mãos trêmulas, pernas inquietas, xingamentos quando a pedra desejada não sai. Alguns dos frequentadores de bingos de Londrina demonstram sintomas de ansiedade, que muitas vezes podem ser características do vício no jogo. A Organização Mundial de Saúde (OMS) reconhece este problema como uma doença: o Transtorno do Jogo Patológico, caracterizada pela incapacidade da pessoa controlar o hábito de jogar, a despeito de todos inconvenientes que isso possa proporcionar, tais como problemas financeiros, familiares, profissionais etc.
Questionada pela reportagem sobre o motivo de tanta ansiedade, uma das frequentadoras de um bingo da cidade alegou que nunca havia ganhado um prêmio. "Só sai prêmio para o pessoal da casa", reclamou, revelando que havia gastado o dinheiro da aposentadoria no bingo e precisava recuperar o valor.
No ano passado o Tribunal Regional Federal da 1ª Região acolheu pedido da Advocacia-Geral da União e condenou duas empresas que exploravam o bingo em Itabuna (BA) por danos morais coletivos. Na ação, a AGU argumentou que os malefícios provocados pelas casas de bingo implicam em impactos na saúde pública, pela disseminação de doenças, transtornos e incapacidade, em alusão ao vício que pode provocar nos seus frequentadores.
Na época o TRF-1 determinou a cada uma das empresas o pagamento de R$ 50 mil pelos danos. Segundo a decisão, a lei não autoriza a exploração dos jogos de azar para fins comerciais e a conduta deve ser punida, em caráter pedagógico, para inibir a reiteração das práticas lesivas por outros. (V.O.)

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