Ney de SouzaBrasil-ParaguaiMinistro Nelson Jobim durante entrevista em Foz: acordo para repatriar carros será mantidoO ministro da Justiça, Nelson Jobim, anunciou ontem em Foz do Iguaçu que o governo está fazendo um estudo para reforçar o esquema de segurança e aparelhar as polícias Rodoviária e Federal na região de fronteira entre Brasil e Paraguai para combater roubo de carros e tráfico de drogas e armas.
Segundo o ministro, apesar do embaixador brasileiro no Paraguai, Márcio Dias de Oliveira, ter anunciado o fim do acordo entre os dois países para repatriar carros roubados, o governo vai mantê-lo. ‘‘O Itamaraty não tem nenhuma informação sobre o rompimento desse pacto’’, disse.
Um sistema computadorizado, implantado pelo Brasil para que o Paraguai identifique carros roubados, só foi utilizado por duas pessoas e acabou sendo desativado. O pacto foi assinado a pedido do governo paraguaio na tentativa de moralisar a questão.
A idéia inicial era rastrear carros roubado e rapatriá-los para o Brasil. Para ajudar a Polícia Nacional paraguaia nos computadores dos consulados e na embaixada brasileira em Assunção, foi implantado o Registro Nacional de Veículos Automotores (Renavam) em setembro do ano passado. No entanto, o sistema só foi utlizado duas vezes desde a sua implantação e acabou desativado.
No ano passado, durante a assinatura do acordo, o Paraguai anunciou que pelo menos 150 mil carros brasileiros e 80 mil argentinos eram suspeitos dentro do país. No banco de dados do Renavam, constam informações de mais de um milhão de carros brasileiros roubados nos últimos 15 anos. O veículo só sai do sistema com um registro de localização feito pela Polícia Civil dos estados brasileiros.
Comemorada pelos dois países, a assinatura representava o fim da burocracia para resgatar carros roubados no Brasil e que estão circulando livremente em território paraguaio. No entanto, quase seis meses depois, o descaso da Polícia Nacional fez com que o sistema fosse desativado. Na tela do computador do Consulado Brasileiro em Ciudad del Este aparece apenas a mensagem de ‘‘desativado por falta de uso’’.
Segundo o cônsul brasileiro adjunto em Ciudad del Este, Djalma Mariano da Silva, os computadores só foram acionados duas vezes. Uma por um advogado paraguaio e outra por uma brasileira de Foz do Iguaçu que teve o carro roubado.
O cônsul não confirma o descaso da polícia paraguaia e diz que ‘‘talvez, não tenham encontrado nenhum carro suspeito que exigisse uma checagem’’. Mas, o assessor de imprensa da Polícia Nacional, Cesar Augusto Lima, confirmou que ‘‘não há interesse em recuperar carro brasileiro roubado’’.
Segundo ele, a atuação dos policiais fica restrita aos pedidos feitos por policiais brasileiros. ‘‘Nós não vamos colocar agentes para sair procurando carros roubados no Brasil. Se houver denúncia, até procuramos’’, afirma. O ministro da Justiça lamentou o fato do Paraguai não utilizar o sistema. ‘‘Nós não podemos obrigar um país vizinho a utilizar nossos meios para indetificar carros roubados. O importante é que o serviço vai ser reativado’’, disse.

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