João Bassani, 30 anos, é um ‘‘sofredor’’. Ele mesmo reconhece: ‘‘Sou caminhoneiro e corintiano’’. E explica: ‘‘Quem não é da boléia e não acompanha futebol pode não saber, mas tentar ganhar a vida dirigindo caminhão e torcer para o Corinthians é sofrer mesmo’’. Pai de um menino, morador em Corbélia (24 quilômetros ao norte de Cascavel), João é daqueles caminhoneiros que fazem ‘‘milagre’’ para sobreviver do ofício. Depois de 8 anos transportando grãos, principalmente para Paranaguá, e antecipando-se alguns dias à recente paralisação da categoria, ele mandou substituir a carroceria graneleira de seu Mercedes, ano 79, por uma caçamba, passando a puxar areia e fazendo ‘‘rolos’’ para melhorar o faturamento. A areia é carregada em Guaíra, das margens do Rio Paraná, em distância muito inferior em relação ao porto marítimo, o que lhe permite permanecer mais tempo com a família.
Pelo frete, ele recebe aproximadamente R$ 350,00, com carga cheia, e sobra cerca de R$ 200,00 por viagem. Além de fazer frete – de todo tipo de material possível em caçamba –, compra e vende areia. João reconhece que, às vezes, anda ‘‘pesado’’, o que é sinônimo de excesso de peso, e diz que ‘‘de cem motoristas, acho que não há um que não faça o mesmo, porque, senão, não sobra nada no final das contas’’.
Para o motorista, a situação da categoria ‘‘é desesperadora’’, o governo anunciou medidas ‘‘que não melhoram nada’’, e, se pudesse recomeçar a vida, ‘‘não voltaria para a estrada’’. João comenta que quase todos os caminhoneiros ‘‘acabam passando por nó cego em tudo quanto é boteco’’. Explicando: se endividam até para comprar coisas básicas para a família e têm grandes dificuldades para pagar a conta. João Bassani comenta que ‘‘até as crianças já sabem que ser caminhoneiro é sofrer’’, tanto que seu próprio filho ‘‘já disse que, quando crescer, caminhão nem pensar’’.

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