Jerônimo do Carmo/A Notícia (Joinville)Fim trágicoDois tiros colocaram fim à vida do Luz Vermelha, que não conseguiu se adaptar à vida em liberdade depois de 30 anos de cadeiaJoão Acácio Pereira da Costa, o ‘Bandido da Luz Vermelha’, foi sepultado ontem em Joinville (SC) em uma cerimônia que reuniu cerca de 200 pessoas. Ele foi assassinado com um tiro no olho e outro no pescoço às 21 horas de segunda-feira pelo pescador Nélson Pinsehguer, com quem morava há três meses.
Segundo informações de vizinhos, João Acácio e Pinsehguer começaram a discutir no bar do pescador, depois de João Acácio ter provocado um dos frequentadores do estabelecimento e ter sido agredido com uma facada. Irritado, Pinsehguer teria fechado o bar e ido para casa, onde teriam discutido e João Acácio foi morto com um tiro de espingarda. Até o início da noite de ontem, o pescador continuava foragido.
Segundo o delegado da 2ª Delegacia de Polícia de Joinville, Uriel Ribeiro, a polícia analisa a possibilidade de Pinsehguer ter cometido o crime em legítima defesa. Segundo testemunhas e amigos do pescador, João Acácio já havia ameaçado Pinsehguer de morte e vinha assediando sexualmente a esposa, as filhas e a sogra de 74 anos do pescador. Junto ao corpo de João Acácio, a polícia encontrou uma faca de cortar pão, que pode ter sido usado por ele para tentar agredir Pinsehguer.
‘‘Ele havia avisado que mataria o João Acácio se a polícia não tomasse alguma providência’’, diz o médico Nélson Quirino, que acampanhava o caso do ‘Bandido da Luz Vermelha’ desde que ele saiu da prisão. Há duas semanas, o pescador havia registrado queixa na polícia denunciando o comportamento violento de João Acácio.
Segundo o médico, os desentendimentos entre João Acácio e Pinsehguer eram cada vez mais constantes. No final de novembro do ano passado, ‘Luz Vermelha’ teria ameaçado o pescador e sua família de morte. Depois de se envolver em outros conflitos na cidade, João Acácio acabou sendo internado por oito dias no Centro Psiquiátrico Metropolitano (CTP), em Curitiba, para ser submetido a um tratamento.
Quando recebeu alta do CTP, João Acácio foi aconselhado a procurar algum tipo acompanhamento psiquiátrico em Joinville. Segundo o médico Nélson Quirino, ele não compareceu a nenhuma das consultas agendadas no Centro de Apoio Psicossocial do município. ‘‘Ele dizia que não era louco e que por isso não precisava de nenhum tipo de auxílio’’, afirmou o médico. Desde então, segundo Quirino, o comportamento de João Acácio passou a ser cada vez mais violento.
‘‘Pode parecer cruel, mas os moradores de Joinville ficaram aliviados e até mesmo felizes com a sua morte’’, diz Quirino, que também realizou o laudo cadavérico de João Acácio. Nenhuma igreja da cidade aceitou fazer o velório do ‘Bandido da Luz Vermelha’, que acabou sendo velado na capela do Cemitério São Sebastião e enterrado em um caixão e terreno cedidos pela prefeitura.
Ontem à tarde, a polícia tomou o depoimento da esposa e da sogra do pescador, principais testemunhas do crime, e de alguns frequentadores do bar que ouviram a discussão entre Pinsehguer e João Acácio. A polícia acredita que o pescador deve se apresentar espontaneamente na delegacia nas próximas horas.

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