Joalheiros pedem mudança no penhor
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quarta-feira, 21 de fevereiro de 2001
Emerson Cervi De Curitiba 
A Polícia Civil do Paraná e a superintendência da Caixa Econômica Federal (CEF) no Estado estão analisando ações em conjunto para combater o roubo de jóias. De acordo com informações da Delegacia de Furtos e Roubos de Curitiba, parte das jóias furtadas terminam penhoradas na CEF. Indiretamente, o balcão de penhor estaria servido como receptador de ladrões. É uma forma segura que os marginais encontram de transformar o produto do roubo em dinheiro, relata o secretário de Segurança Pública, José Tavares.
O gerente de mercado da CEF no Paraná, Fabio Carmelos, diz que o regulamento para penhor é nacional e obriga o banco a manter o sigilo em todas as operações. Estamos começando a pensar em alternativas para evitar esse tipo de coisa, mas as mudanças terão que ser nacionais, explicou.
De acordo com o delegado de Furtos e Roubos, Hamilton Paz, no ano passado foram registrados cinco grandes assaltos a joalherias de Curitiba. Os responsáveis foram presos e, em todos os casos, as jóias já tinham sido penhoradas na CEF.
Em uma agência da Caixa em Curitiba a polícia chegou a encontrar jóias penhoradas que ainda estavam com a etiqueta da joalheria de onde tinham sido roubadas. Outro caso curioso é o da existência de mais de 50 cautelas (contratos de penhor) em nome de uma única pessoa. Se o penhor é de jóias da família, não pode ser normal que um cidadão tenha mais de 50 peças para ser penhoradas, disse o secretário.
A discussão sobre a necessidade de um maior controle no penhor de jóias pela CEF surgiu de uma reclamação dos joalheiros do Estado. Segundo os empresários do setor, a carteira de penhores é o local mais seguro para guardar produtos roubados. Pela legislação, quem penhora não pode ter seu nome divulgado. O banco exige a identificação, inclusive com comprovante de residência, mas todas as informações são sigilosas.
Tavares se reúne hoje com o ministro da Justiça, José Gregori, em Brasília para tratar da segurança em região de fronteira e vai abordar esse assunto. O sistema de penhor existe há 140 anos e, no ano passado, foram feitos no Paraná 112 mil contratos, no valor total de R$ 29,1 milhões. Em todo o País foram cerca de R$ 2 bilhões em jóias penhoradas.


