Jhonatan tem 15 meses. Mas pose e peso de quatro anos
PUBLICAÇÃO
sábado, 14 de dezembro de 1996
Lúcio Horta 
Jack era um menino incrível. Nasceu prematuro, com dois meses de gestação, e com um ano de idade tinha aparência de quatro. Isso mesmo: ele tinha um desenvolvimento quatro vezes acima do normal, já que suas células se multiplicavam nessa proporção.
O distúrbio genético de Jack, que fez dele um superbebê quando mal tinha aberto os olhos pela primeira vez, ainda não foi observado pela ciência. Faz parte, na verdade, do mundo fantástico criado pelo cinema e está em cartaz no Cine Catuaí 2, em Londrina. Francis Ford Coppola, diretor de Jack, quis fazer uma fábula sobre a efemeridade da vida, a partir do texto de James DeMonaco e Gary Nadeau. Robin Williams assumiu o papel e vive nas telas um garotão de 10 anos de idade e aparência de 40.
Se no cinema um bebê com supercrescimento representa uma visão crítica da sociedade moderna - com toques de comédia dramática -, no jardim Santa Rita 6 (zona oeste) a realidade é um pouco mais modesta, com menos pretensão, sem toques de história hollywoodiana. Mas também não deixa de impressionar.
Londrina, 4 de setembro de 1995. Hospital Universitário. Adriana Cristina Pires Palomar Jorge, moradora do Santa Rita, vai para sala de cirurgia, com fortes contrações. O filho, o primeiro do casal Adriana e Adevair Jorge, está prestes a nascer. Nasce e impressiona: Jhonatan Adevair Palomar Jorge chega ao mundo prematuro, no oitavo mês de gravidez, mas com generoros 4,870 quilos, distribuídos em 55 centímetros de comprimento.
Médico, enfermeira, pai, mãe e o resto da família... todo mundo não acreditava no tamanho daquele bebê. E, ao contrário de Jack, Jhonatan nasceu normal, física e intelectualmente. Forte mesmo, sem qualquer distúrbio. Na minha família todo mundo é grande. Mas mesmo assim a gente ficou assustado, lembra a mãe, que é uma mulher alta, com 1 metro e 83 centímetros de altura.
O tempo foi passando e Jhonatam não decepcionou: continuou crescendo na proporção de seu peso e tamanho. Hoje, com um ano e três meses de idade, mede 83 centímetros (o normal seria 78), calça 25 e pesa nada menos do que 17 quilos, peso normal para uma criança de quatro anos. É um verdadeiro superbebê.
Tenho que comprar para ele roupa de criança com 5, 6 anos de idade. E ainda assim às vezes fica apertada, conta a mãe orgulhosa. O filho de um vizinho, que mora ao lado, tem cinco anos de idade e também pesa 17 quilos, compara Adriana.
Segundo a mãe, o menino não tem nenhuma superalimentação para manter o físico avantajado. Toma leite, como qualquer outra criança, e come a mesma refeição dos pais: arroz, feijão, carne, salada etc. Mas sem exageros. Ele também não tem assadura e é difícil ficar doente, conta.
O pediatra Álvaro Luiz de Oliveira, diretor clínico do Hospital Infantil, explica que os bebês que têm tamanho acima do normal são chamados de macrossômicos. É sinônimo de grandão mesmo, observa. Esse tipo de caso, explica o médico, é mais comum em famílias que têm estatura média muito alta.
O pediatra observa, porém, que o maior cuidado que pais de bebês macrossômicos devem ter é com a alimentação: se não tiver refeições balanceadas, a criança pode ficar obesa. Mas não é regime, é apenas uma dieta direcionada.
No mais, explica o médico Álvaro de Oliveira, a criança terá uma vida absolutamente normal, como qualquer outro menino de sua idade.


