Jesus atravessou o Centro
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sexta-feira, 10 de abril de 2009
Rafael Urban<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Jesus seguia logo atrás do caminhão de som, carregado por quatro pessoas, na Ubaldino Amaral, Centro de Curitiba. ''Nem pesa, levamos na fé'', explica o comerciário Luís Toniolo, 75, que alternava o fardo com outros populares. A Procissão do Senhor Morto é a maior das mais de 130 que aconteceram ontem na cidade. Reúne oito paróquias da Região Central e acontece há quatro anos no atual formato: saiu às 16 horas da Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, ao lado do estádio Couto Pereira, do Coritiba, para chegar, pouco depois das 17 horas, na Catedral Basílica, na Praça Tiradentes.
A multidão, que caminhava atrás, ocupou cerca de três quadras. O metalúrgico Anderson Lira, 20, de moto, ficou no trânsito na esquina da Rua Itupava com a Ubaldino do Amaral. ''Está tranquilo. Só vou esperar uns dez minutos. A moça do carro ali atrás que está nervosinha.'' Ele logo agradece: as pessoas vem em paz. ''Já basta o trânsito, que tem muita briga. Graças a Deus, o pessoal passa logo e a gente vai embora.'' Na mesma esquina, a professora aposentada Tereza Zattar, 65, parada junto ao muro de sua casa, rezava com a multidão. ''É muito emocionante tudo isso. Quebrei o pé e não posso estar junto. Mas estou lá, cantando com eles.''
Em cima do caminhão, a banda MPS animava a cantoria, enquanto padres se alternavam ao microfone - e na tarefa de se abaixar ao passar pelos fios da rede elétrica, uma vez que quem construiu o Centro de Curitiba não pensou nos trios elétricos. ''Queremos construir a caminhada, que marca esse momento da paixão, de amor, deixando de lado um pouco a questão técnica para que seja um momento de fé e oração'', comentou o missionário redentorista Primo Hipólito, 41, um dos responsáveis pela locução.
Do ponto de ônibus na Praça do Expedicionário, a cobradora Cleusa Maria Lopes, 44, acompanhava tudo à distância. Pela primeira vez, via uma procissão na Região Central. ''Acho tudo muito lindo. Uma pena que bem na hora que queria prestar atenção, o pessoal veio pagar a passagem.''


