Jatene critica uso da CPMF e diz que SUS é fantástico
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quinta-feira, 04 de setembro de 1997
Edmara Michetti Londrina 
Josoé de CarvalhoOpiniãoO ex-ministro Adib Jatene ontem em Londrina: Temos leitos de sobra, que estão mal distribuídos O SUS (Sistema Único de Saúde) é fantástico. A opinião é do ex-ministro da Saúde, o cirurgião Adib Jatene. O médico justifica sua afirmação com números de atendimentos: 12,5 milhões de internações e 1,2 bilhão de procedimentos de nível médio em 1996. O SUS, segundo ele, que esteve no Ministério durante os governos de Fernando Collor de Melo, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso, é uma das melhores propostas de financiamento de saúde do mundo, porém subfinanciado. Jatene esteve em Londrina ontem proferindo palestra sobre o SUS, a convite da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (Adesg), Universidade (UEL) e Associação Médica de Londrina (AML).
O problema do SUS, segundo Jatene, é que os prestadores do serviço estão submetidos a um processo desgastante que impede a melhora qualitativa. Ele explica que um dos fatores responsáveis pelo desgaste é a defasagem dos valores repassados aos prestadores. Hoje o SUS trabalha com valores de 1994. Só teve um reajuste de 25% em 1995, mas que já chegou com meses de atraso.
Questionado sobre a superlotação dos hospitais, que sofrem com a falta de leitos de tratamento intensivo, Jatene respondeu que isso é um engano. Ao contrário, tem leito de sobra, disse. A situação atual vivida pela maioria dos hospitais do País, segundo ele, é provocada pela distribuição inadequada dos leitos disponíveis.
Entre os fatores responsáveis pela superlotação hospitalar, ele citou a procura equivocada da população pelos hospitais por problemas que poderiam ser resolvidos nos postos de saúde. Enumerou ainda a utilização reduzida dos programas de agente comunitário da saúde, um trabalho de orientação preventiva, e do médico da família, que busca garantir tratamento na casa do paciente.
Para Jatene, as deficiências da saúde serão solucionadas com uma reforma no sistema, que, ressalta ele, já está em andamento. Exemplo disso são as gestões semi-plenas que atingem 160 municípios - entre eles Londrina -, que administram os recursos da saúde. Isso deveria estar atingindo mais de 800 municípios. Mas eles têm receio porque os recursos não são usados com saúde, disse.
Jatene demonstra revolta com a destinação da CPMF, instituída por ele como medida emergencial para a saúde. Ele defende que não é correto usar esse recurso para pagar dívidas antigas da saúde.


