Jataizinho pode abrigar presídio industrial
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segunda-feira, 18 de agosto de 2003
Gilmar Agassi<br> Reportagem Local 
Jataizinho Um presídio destinado a abrigar detentos em regime semi-aberto poderá ser construído em Jataizinho (21 Km a leste de Londrina), até o próximo ano, para amenizar o problema de superpopulação nas carceragens da região de Londrina. O governo do Estado já sinalizou favoravelmente à construção e a prefeitura adiantou que pode doar a área. Os recursos viriam dos governos federal e estadual.
O juiz da Vara de Execuções Penais (VEP), Roberto do Valle, explicou que vem buscando, desde 1997, convencer o governo do Estado da necessidade de se construir o presídio na região. Ele entrou em contato com municípios da Região Metropolitana de Londrina, na tentativa de encontrar um que demonstrasse interesse em receber a obra. ''Jataizinho foi quem mais se interessou pelo presídio'', completou.
Valle afirmou que poderão ser transferidos para o presídio detentos que cometeram crimes comuns, com pena superior a quatro anos e inferior a oito anos de detenção. No caso de a pena ser superior a oito anos, o detento cumpre 1/6 da pena em regime fechado e posteriormente é encaminhado para o presídio semi-aberto. Não podem ser transferidos presos que cometeram crimes hediondos e de tráfico de drogas. No Paraná, o único presídio com essa finalidade é a Colônia Penal Agrícola de Curitiba.
Segundo o juiz da VEP, a principal vantagem desse tipo de presídio é que os detentos podem trabalhar durante o dia e com isso destinar renda às suas famílias. Além disso, uma vez por mês, os detentos são autorizados a ficar três dias em suas casas. ''É uma forma de aproximar o preso à família. Mas tudo depende de sua auto-disciplina'', comentou. O presídio deverá ter capacidade para, no mínimo, 300 detentos.
Um ponto que ainda precisa ser discutido é sobre onde os detentos irão trabalhar. A proposta do juiz era de que uma indústria fosse instalada no presídio. Mas para o secretário de Estado da Justiça, Aldo Parzianello, essa não é a melhor opção, pois a experiência de empresas em penitenciárias não está sendo muito positiva. As empresas estão enfrentando dificuldades para comercializar os produtos. ''O ideal seria termos várias opções de trabalho.''
A prefeita de Jataizinho, Terezinha de Fátima Sanchez (PSDB), confirmou o interesse do município, mas garantiu que a população será convocada a participar da decisão. Ela acredita que o presídio poderá trazer benefícios financeiros, além de gerar empregos. Ela disse que não haverá problemas em doar um terreno para a construção. ''Faremos o mesmo com qualquer empresário que queira se instalar em nosso município.''


