Rubens Burigo Neto
De Curitiba
O jardineiro Vicente da Cruz, 42 anos, pode voltar ao trabalho ontem, depois de passar vinte dias preso no Centro de Triagem da Travesa da Lapa, no centro de Curitiba. Ele foi detido no dia 21 deste mês por policiais militares na esquina da casa dele, no bairro Ciuá, durante uma blitz. Poderia ser uma feliz história de reintegração à sociedade. Mas não é. Um erro judiciário cometido há 13 anos provocou a prisão de Cruz.
‘‘Em maio de 1987 foi decretada a prisão preventiva dele, já ele que foi denunciado por roubo. Mas em outubro daquele ano ele foi absolvido, só que a Justiça nunca recolheu o mandado de prisão’’, revelou o advogado Jorge Luiz Bernardi. Anteontem ele pediu o cancelamento do mandado de prisão e a revogação da prisão de Cruz à juíza Elizabeth Nogueira Clamon de Passos, de Piraquara, na região metropolitana de Curitiba, onde o processo contra ele foi instaurado.
A juíza concordou com o pedido e, em seu despacho, assinalou que ‘‘por razões que se ignoram’’ a antiga escrivã da comarca expediu alvará de soltura somente para Luiz Fernando dos Santos que fazia parte do mesmo processo contra Cruz. O jardineiro foi libertado na tarde de terça-feira e ontem passou o dia todo trabalhando.
A irmã dele, Eliane de Fátima da Cruz, garantiu que ele estava ‘‘bastante alegre’’ depois da libertação. ‘‘Ele nos contou que jamais vai querer voltar para aqulee lugar horrível’’. Ela afirmou que a faília levou dois dias para saber onde que Cruz estava preso. ‘‘Minha mãe ficou desesperada até nós encontrarmos meu irmão e mais ainda quando descobriu que ele foi preso sem dever nada’’.
Bernardi disse que a família pode entrar com uma ação contra o Estado pedindo uma indenização por danos morais e materiais. ‘‘Este erro judiciário acabou provocando uma situação muito grave. O cancelamento do mandado de prisão deveria ter sido a primeira coisa a ser feita depois a absolvição de Cruz’’.