A maioria dos voluntários pode ser encontrada nas igrejas, em bairros e comunidades carentes, nos grupos de auto-ajuda, nas associações culturais e esportivas, nas instituições sociais e até nas empresas. Ainda que não chamem a si mesmos de voluntários, são pessoas que ajudam umas às outras e ajudam a quem está em situação mais difícil. Muitas vezes, essa doação ao próximo causa até espanto a quem conhece as dificuldades da vida do voluntário.
É o caso do jardineiro Valcuruci Jorge dos Santos, 39 anos. Trabalhando então na Frente de Trabalho da prefeitura, há sete anos Jorge começou a coletar revistas sobre crianças para distribuir entre as gestantes carentes de seu bairro, o Jardim Marabá, na zona leste de Londrina. ''Achava que faltavam informações para elas, sobre gravidez e cuidados com as crianças'', conta. Daí para coletar papéis, plásticos e latinhas foi um pulo. Com o dinheiro da venda, o jardineiro passou a comprar enxovais para os bebês. Pelos seus cálculos, durante esse tempo já ajudou mais de 600 gestantes.
Vivendo com uma renda de pouco mais de R$ 320 por mês, com a mãe e um sobrinho, em uma casa humilde, Jorge sabe o valor do calor humano. ''Eu sempre pensei assim: se está difícil para mim, tem muita gente que precisa ainda mais. E nada substitui o sorriso que recebo.''
O despreendimento e o amor ao próximo demonstrados pelo jardineiro se tornaram mais notáveis agora, depois que se inscreveu no Programa de Demissão Voluntária (PDV) para Frente de Trabalho. Desempregado, Jorge ainda não tem planos nem emprego em vista. Mas garante que não vai parar de ajudar os outros. ''Enquanto Deus me der forças, vou continuar. Eu me sinto bem fazendo isso. O mundo precisa que a gente tente ajudar os outros. Só assim podemos ser melhores.''
O jardineiro aceita doações de todos tipos de materiais, inclusive brinquedos, roupas e carrinhos de bebê. Quem quiser doar algo, é só ligar para (43) 329-0083 ou 9106-3251, que Jorge vai buscar com sua inseparável bicicleta, não importa a distância. ''Só queria pedir para que os ricos fossem um pouco mais sensíveis. É mais fácil a gente conseguir doações no João Turquino (assentamento na zona oeste) que no centro da cidade'', conta.

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