Jardineiro denuncia agressão de PMs
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 13 de janeiro de 1998
Gerson da Luz Souza 
Jackson PiaiaDenúnciaO jardineiro
Ademir
Pereira
diz que foi
acusado
injustamente
de furtar a
casa de
um bombeiro.
Ele conta
que foi
preso e
espancado
por policiais
militaresO jardineiro Ademir Pereira, 32 anos, denunciou ontem ter sido vítima de agressão por parte de policiais militares de Cascavel, sob acusação de ter roubado a casa do soldado do Corpo de Bombeiros Jairo Kaeser, de quem cortou a grama. A agressão teria acontecido no dia 9, mas veio a público apenas ontem, depois que Ademir formalizou denúncia no Batalhão da Polícia Militar.
O caso motivou abertura de inquérito policial militar, no 6º BPM. Ademir fez exame de lesões corporais ontem, no Instituto Médico Legal. O resultado do laudo não havia sido divulgado até o final da tarde de ontem. O capitão da PM Celso Luiz Borges, que acompanha o inquérito, confirma que Ademir apresenta uma série de lesões pelo corpo.
O jardineiro disse que cortou a grama da casa de Jairo Kaeser no dia 19 de dezembro e ficou de cobrar a conta quatro dias depois, mas nesse período o bombeiro mudou de residência. No depoimento à Polícia Civil, Ademir contou que descobriu a casa de Kaeser através do quartel. Ele diz que foi até o local e encontrou somente a cunhada do bombeiro. Ao retornar no outro dia foi preso por Kaeser, sob acusação de ter furtado a sua residência na noite anterior.
Além de furto, Ademir Pereira é acusado de resistência à prisão policial, efetuada por policiais militares chamados pelo bombeiro. O jardineiro nega o furto e a resistência à prisão. Diz que foi agredido sem motivo pelo bombeiro e pelos policiais militares (um sargento e três soldados) para contar onde teria escondido o produto do eventual roubo (televisão e outros pertences).
O capitão Celso disse ontem à Folha que todas as providências necessárias estão sendo tomadas. Os policiais acusados foram, inclusive, afastados do serviço nas ruas até a conclusão do inquérito, disse. Os nomes dos PMs não foram revelados pelo comando do Batalhão. Só poderemos fazer isso após a conclusão do inquérito, disse.


