Jardim Santa Fé exige infra-estrutura
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terça-feira, 08 de abril de 1997
Adriana De Cunto 
Paulo WolfgangSanta fé!Moradores reunidos em terreno baldio do bairro: falta de creche impede mães de procurar emprego Frio, poeira, falta de infra-estrutura, creche e escola de 1º e 2º graus. São esses os principais problemas dos moradores do jardim Santa Fé, zona leste de Londrina, que se reuniram ontem, em um terreno baldio do bairro, para chamar a atenção das autoridades sobre suas principais dificuldades. Cerca de 50 pessoas participaram da reunião, que teve a presença do vereador Salvador Francisco (PSDB).
Os líderes comunitários da região contam que a pavimentação do bairro, assim como a construção de uma creche e uma escola, foram acertadas na gestão passada, através do Orçamento Participativo. Só que até agora nenhuma destas obras foi sequer iniciada. Para a escola e a creche, a Prefeitura cedeu um terreno (local onde foi realizada a reunião ontem). Com a intenção de ajudar na obra, os moradores conseguiram cinco mil tijolos com um candidato a vereador.
Nós temos mais de mil crianças no bairro, estima Flávio Gonçalves, que se diz um dos principais líderes comunitários do Santa Fé. O cálculo dele é simples: a maioria dos 460 lotes do bairro é ocupada por famílias que têm no mínimo dois filhos - a média, garante ele, é de quatro crianças por casa. Mas esse levantamento não leva em conta as 190 famílias que invadiram, há seis meses, um terreno do Santa Fé, e estão vivendo em condições precárias.
As creches mais próximas, comenta Gonçalves, ficam nos jardins Morumbi, Marabá e Ideal, cada uma localizada a uma distância de 600 metros do Santa Fé. Só que em nenhuma delas há vagas sobrando para as nossas crianças, reclama Gonçalves. Ele comenta que, sem ter com quem deixar os filhos, as mulheres não podem conseguir um emprego. Com isso, a renda das famílias fica bastante limitada e muitas acabando passando por dificuldades financeiras.
Segundo Gonçalves, as escolas mais próximas são a Carlos Coimbra, no Marabá, e a Ana Molina Garcia, na vila Ricardo. Ele não sabe estimar a distância, mas reclama que ficam longe do Santa Fé.
Zilda Marcelino de Souza, 42 anos, tem seis filhos (a mais velha com 18 anos e a mais nova com 4). Para conseguir levar adiante o seu bico de lavadora de túmulos em cemitérios, ela precisa deixar as crianças com a filha mais velha. Se tivesse uma creche no bairro, a minha filha também poderia trabalhar fora para ajudar na despesa da casa, comenta Zilda.
Rosa Nunes Ferreira, 27 anos, e Alzira Jeremias dos Santos, 32 anos, também não podem procurar emprego porque não têm com quem deixar os filhos. Rosa tem três crianças - com idade de 6, 4 e 2 anos - e Alzira, seis filhos - o mais novo com 1 ano e o mais velho, com 14 anos. Sem uma creche na região, tudo fica mais difícil para ela e outras mães. Eu preciso ajudar o meu marido porque a gente está passando dificuldades, afirma Alzira.
Ela vive no acampamento de sem-teto montado há seis meses no jardim Santa Fé, outro problema que os líderes comunitários querem resolver com urgência. O vice-presidente da Associação de Moradores do Santa Fé, Ivan Antônio Melo, diz que os sem-teto estão passando muitas dificuldades. Ele lembra que há apenas uma torneira comunitária para atender as 190 famílias e reclama da falta de definição da Prefeitura quanto ao assentamento dos sem-teto naquele terreno ou em outro local. O pessoal não tem água, luz, não tem nada.


