Até o menor município do Paraná, Jardim Olinda (Norte), com 1.409 habitantes, está sentindo a violência se aproximar. ‘‘Hoje a gente tem que ficar atento, não dá para deixar tudo tão à vontade. Antigamente, se a gente esquecia a bicicleta em algum lugar, logo um amigo ia devolver’’, conta o pioneiro Silvino Porto Reis, de 70 anos. Ele mora há 62 anos no local, que só virou município há pouco mais de quatro décadas.
  A população sabe que pequenos furtos e roubos andam acontecendo, mas de maneira geral os costumes ainda são típicos do interior. Em dias de calor, são comuns as cadeiras permanecerem constantemente na calçada. É assim na casa da professora aposentada Virgínia Dias de Moraes. ‘‘Às vezes o vigia passa de madrugada, fica um pouco sentado e depois põe na varanda para mim. Depois, ele só me avisa que guardou.’’ A casa de Virgínia é uma das muitas do município que não tem grades nem muros. ‘‘Aqui ainda temos a vida boa do interior. Dá até para dormir na calçada, se quiser’’, brinca.
  O pescador Celso Timóteo da Silva não dorme na calçada, mas quase. A família mantém uma cama na varanda da casa, e é lá que Silva permanece até de madrugada, nas noites de verão. ‘‘Aqui a gente deixa tudo na varanda, não tem perigo’’, garante.
  O sargento Claudenísio dos Santos está há 10 meses trabalhando na cidade, e só há dois meses ganhou a companhia de dois soldados. Eles ocupam o prédio da delegacia, já que não há delegado e demais policiais civis no município. ‘‘No começo estranhei a estrutura tão enxuta, porque em Paranavaí, onde eu trabalhava, só saíamos em dupla, e se fosse preciso, pedíamos o apoio de outras viaturas.’’ Em Jardim Olinda, o trabalho dos policiais praticamente se restringe a pequenas brigas e danos materiais. Este mês foram registradas duas ocorrências e o último homicídio foi há mais de 20 anos. (S.L)

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