Jardim Felicidade ganha área de lazer
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domingo, 27 de setembro de 2009
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Parquinho com gangorra e balanço para as crianças, pista de caminhada para as mulheres se exercitarem, campo de futebol para os homens e praça cheia de bancos e flores para os idosos baterem papo: o voluntariado, aliado à boa vontade da própria comunidade, proporcionou aos moradores do Jardim Felicidade (Zona Norte de Londrina) um espaço de convivência construído para eles e por eles. Foram três dias de trabalho que serviram de lição para as famílias: elas aprenderam a confiar em seu próprio potencial para mudar, sozinhas, a realidade em que vivem.
Mas construir um espaço de lazer foi o ápice de um trabalho de conscientização que vem sendo realizado na comunidade há um mês por voluntários do Movimento Oásis, liderado por jovens universitários que, por meio da colaboração espontânea de pessoas e instituições, concretiza projetos da população local, como áreas de lazer, pontes, praças e revitalização de espaços e hortas comunitárias.
Em parceria com o Núcleo Escola do Ser (NES), que funciona no bairro, com a Prefeitura, a Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) e o movimento Nós podemos Paraná, os voluntários do Oásis ouviram as demandas do Jardim Felicidade e botaram a mão na massa para fazer acontecer o sonho dos moradores, ''sempre com a participação da comunidade'', assinalou o articulador do movimento em Londrina, Saulo Pandini, estudante de Engenharia Civil da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Ele lembrou que o bairro era uma área de assentamento onde atualmente vivem mais de cem famílias que, até ontem, não contavam com nenhum equipamento público.
Para estimular, por meio da construção coletiva, que os cidadãos ajam independentemente da ajuda dos poderes público ou privado, dezenas de estudantes coordenaram as ações, as quais foram divididas em quatro etapas que duraram um mês: identificação da comunidade, aproximação dos moradores, verificação dos problemas e realização das demandas. Na manhã de ontem, dezenas de crianças participavam do plantio de flores na praça e da delimitação do campo de futebol, enquanto os adultos trabalhavam na construção dos brinquedos do playground.
''Desde quando os estudantes chegaram aqui eu já senti que ia dar certo'', comentou o trabalhador da construção civil Robson Ricardo da Silva, que vive no bairro e ontem ajudava na preparação do parquinho. Segundo ele, o local onde está sendo construído o centro de lazer ''era mato puro e todo mundo jogava lixo''. ''Foi ótimo porque não tínhamos espaço para diversão.''
Conforme Saulo, a criação do centro de lazer foi o projeto piloto do Oásis em Londrina. Ele ressaltou que o grupo já recebeu pedidos para auxiliar outras tantas comunidades, como a Vila Iara, a Vila Recreio e o Patrimônio de Heimtal. ''Nossa metodologia envolve o olhar, o afeto, o sonho e a mão na massa'', descreveu.
Para ele, seria bom que o grupo não finalizasse todos os detalhes da construção no fim de semana. ''Importante é motivarmos a comunidade a participar e terminar a construção sozinha'', declarou o estudante, recordando que o movimento Oásis foi criado há 12 anos em Santos, no litoral paulista. ''Nunca pedimos dinheiro, pedimos talentos. Trabalhamos sempre de pessoa para pessoa'', disse o estudante, destacando que o movimento é perfeito para indivíduos que desejam ajudar o próximo, mas não sabem muito bem como.
Serviço - Mais informações sobre o movimento no site www.uel.br/projetos/oasis


