''Dizem que este espaço vai dar para três anos. Mas com tanta gente morrendo na cidade, acho que melhor manter minha cova reservada'', brincou o operário Francisco Vieira Neto, 49 anos, enquanto trabalhava na ampliação do Cemitério Jardim da Saudade (zona norte).
Ainda este mês, segundo a Administração de Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina (Acesf), a área de 9 mil metros quadrados estará pronta para novos sepultamentos. A ampliação se estendeu pelos fundos do cemitério e a capacidade é de 1,2 mil novos túmulos. O terreno foi totalmente murado, terraplanado e ganhou galerias pluviais. Vieira Neto adquiriu um terreno na ''parte velha'' do cemitério''. ''Tenho minha mãe e uma irmã sepultadas aqui. É aqui que eu quero ser enterrado'', justificou.
O superintendente da Acesf, Wilson Batini, afirmou que o novo espaço vai ''garantir a normalidade do atendimento funerário''. ''É importante destacar que faremos apenas sepulturas para terra. Não vamos permitir construções maiores (como jazigos e capelas) e nem a venda de terrenos. A estimativa de ocupação é de três anos'', explicou.
Apesar dos cemitérios tradicionais estarem com o espaço físico praticamente esgotado, Batini destacou que não há perigo de superocupação tanto no Jardim da Saudade quando nos outros quatro cemitérios públicos locais porque a retirada de ossadas dos túmulos (prevista para cada três anos) mantém a situação estável. Desde 1984, já foram enterradas 22.532 pessoas no cemitério da zona norte. ''Isso não significa que temos mais de 22 mil túmulos. Hoje, a quantidade de covas é de pouco mais de 15 mil, incluindo os comprados'', afirmou.
Desde 1932 ano em que foi inaugurado o Cemitério São Pedro, que fica no centro da cidade até janeiro deste anos, foram sepultados em Londrina mais de 90 mil pessoas. Londrina conta com apenas um cemitério particular (o Parque da Oliveiras, com 3,2 mil túmulos). O local é mantido pela Sociedade Evangélica Beneficente desde 1980.

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