Jardim Botânico gera crise entre secretários
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quinta-feira, 24 de julho de 2003
Fernanda Bressan<br>Reportagem Local 
O secretário municipal do Meio Ambiente, padre Dirceu Fumagalli, criticou ontem a decisão do governo de investir a multa de R$ 1,5 milhão, aplicada ao Pool de Combustíveis por poluição ambiental, na construção de um Jardim Botânico na cidade. O anúncio da construção foi feito anteontem pelo secretário do Estado do Meio Ambiente, Luiz Eduardo Cheida, durante a assinatura do termo de ajuste de conduta firmado entre as empresas integrantes do Pool, o Ministério Público e a secretaria.
Fumagalli declarou que não é contra investimento na área ambiental. ''O que eu questiono é o procedimento. Se é um projeto para a cidade, ela tem que participar da decisão e nenhuma instância participou'', enfatizou. Ele apontou que em nenhum momento o Jardim Botânico foi colocado como prioritário. Segundo ele, entre as obras que poderiam ser realizadas está o investimento na região do Parque Ambiental do Tibagi, que teve uma área desapropriada. ''É um parque estratégico, mas teria que discutir com a cidade para saber o que realmente é prioritário.''
Sobre os R$ 110 mil que a Sanepar teria que pagar ao município em virtude de multas por poluição ambiental, o secretário observou que o dinheiro ainda não foi depositado. Esse valor seria utilizado para revitalizar o parque Arthur Thomas (zona sul). Fumagalli disse que da Sanepar entrou apenas R$ 55 mil, utilizado no projeto de recuperação de nascentes.
Cheida frisou que durante a Conferência Municipal do Meio Ambiente o Jardim Botânico foi apontado como prioridade. ''O secretário chegou ontem e teria que se informar mais. Eu não precisaria consultá-lo porque a conferência teve mais de dois mil participantes. Além disso, foi uma decisão do governador (Roberto Requião) e o Jardim Botânico vai ser feito.''
Cheida reclamou também que fez um pedido de agenda pessoalmente ao prefeito Nedson Micheleti (PT) há oito semanas e até agora não recebeu retorno. ''Eu não conheço um secretário de Estado que tenha ficado mais do que 30 minutos esperando para falar com o prefeito'', alfinetou.
O chefe de gabineto do prefeito, Jacks Dias, disse não ter recebido nenhuma solicitação de visita de Cheida e que o prefeito está aberto a conversar, como sempre esteve. ''É estranha a declaração do secretário porque o prefeito já foi visitado e visitou quase todo o secretariado do governo Requião, inclusive se encontrou com ele quando esteve em Londrina.''
O valor que o Pool irá pagar equivale a 10% da multa aplicada pelo despejo de óleo diesel no ribeirão Lindóia (zona oeste), ocorrido em maio do ano passado. O valor deve ser pago dentro de até 90 dias, conforme firmado no acordo.


