Jardim Botânico completa um ano de fechamento
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Danilo Marconi <br> Reportagem Local
Ferros retorcidos, ferrugem, luminárias quebradas, erosão, mato invadindo a construção. O cenário pode ser observado no Jardim Botânico de Londrina, mas não por todos. A área de lazer, localizada na Zona Sul de Londrina, está fechada há um ano. Duas velhas e empoeiradas faixas fixadas em portões trazem o alerta de que obras estão sendo realizadas no parque e, ''por medidas de segurança'', o público não pode usufruir das dependências.
Em dezembro de 2010, a administração resolveu restringir a visitação para iniciar a segunda etapa das obras. O Estado iria investir cerca de R$ 20 milhões com a construção de três estufas, oito jardins temáticos, centro de recepção aos visitantes, auditório com capacidade para 400 pessoas, sanitários, vestiários e praça de alimentação. A construtora vencedora da licitação deixou os serviços meses depois. ''A construção está parada há oito meses'', disse um operário, cuja identidade foi preservada.
Visitantes contemplam a beleza do local a distância. O técnico em enfermagem Moisés Carvalho Matias mora há 14 anos na Zona Sul, mas nunca visitou o parque. ''Já tentei entrar, mas eles não deixam'', criticou. ''Eles usam sempre esse argumento, que estão em obras. É um parque público que vive fechado'', lamentou o técnico em informática André Berzotti, que pratica corrida quatro vezes por semana na região.
Os espelhos d'água estão sujos. Em muitos, os volumes estão abaixo do normal e a água fica parada, criando ambiente propício para a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue. A dona de casa Egrivania Maria Martins mora a poucos metros do Jardim Botânico e está preocupada com a situação - ela já contraiu dengue duas vezes.
''Tenho tanto medo que não cultivo plantas em vasos na minha casa para não dar chance ao azar. Cuido tanto do quintal e peço atenção especial para os meus vizinhos. Agora, isso aqui é lamentável'', disse Egrivania, durante caminhada vespertina com o marido Antonio Francisco Penha Martins.
Definição
Sem bolo ou bexigas. O aniversário de fechamento do parque não foi comemorado pelo idealizador do projeto, o ex-secretário do Meio Ambiente e deputado estadual, Luiz Eduardo Cheida (PMDB). ''É injustificável'', criticou. Ele já apresentou pedido ao secretário Estadual do Meio Ambiente (Sema), Jonel Iurk, e demonstrou o problema ao governador Beto Richa (PSDB). ''O próprio (secretário estadual da Fazenda, Luiz Carlos) Hauly disse que tem orçamento e verba específica para a obra. O que precisa é uma definição do governo e acelerar aquilo que hoje está parado.''
Cronograma da Sema aponta que a obra está parada desde o dia 30 de setembro. ''O prazo para execução da obra acabou, mas o contrato ainda não. Estamos realizando um estudo de viabilidade e negociando novo prazo com a construtora'', revelou o coordenador de Educação Ambiental e de Jardim Botânico da Sema, Paulo Castella. A construtora já teria recebido do governo R$ 5 milhões pelas obras inacabadas.
Com a revisão do projeto, a construtora deve finalizar apenas as construções das estufas, anfiteatro e alojamento da Polícia Ambiental. O restante das obras estipuladas pelo contrato ficaria para outra etapa. ''Vamos redimensionar o tamanho da obra para aquilo que é possível o Estado pagar e o que é necessário para termos um Jardim Botânico. Faltam apenas os vidros das estufas. Essa obra está 65% concluída. O alojamento está 95% concluído. Do anfiteatro, a pior parte está feita. Agora é só fazer a arquibancada'', disse Castella.
A estimativa é que as obras sejam retomadas até o início de fevereiro. Pelo cronograma, o Jardim Botânico seria reaberto para a população apenas no segundo semestre de 2012. ''A previsão é que a gente conclua isso em seis meses e entregar tudo com segurança para a população'', garantiu.
Veja mais imagens do abandono: