Japoneses relatam a reconstrução de Kobe
Lino Ramos
De Londrina
Especial para a Folha
Um grupo de arquitetos envolvidos na reconstrução da cidade de Kobe, no Japão, participou ontem, no Hotel Sumatra, em Londrina, do seminário sobre Desenho e Reconstrução Urbana, promovido pelo Instituto Brasileiro de Arquitetos do Brasil (IAB) e Instituto de Design e Urbanismo do Japão.
Segundo o professor da Universidade Estadual de Londrina, Humberto Yamaki, do Núcleo local do IAB, o objetivo é promover uma troca de experiências sobre a recuperação e a identidade do espaço urbano das cidades. O destaque é a valorização do espaço público para favorecer a estruturação da comunidade, disse.
A reconstrução urbana da cidade de Kobe foi abordada por Ken Namba, do Departamento de Planejamento Urbano da província de Hyogo. Às 5h47 da manhã do dia 17 de janeiro de 95, um terremoto de sete graus na escala Richter (que vai até nove graus) destruiu parcialmente a cidade. O tremor matou 6 mil pessoas na província de Hyogo e atingiu principalmente as casas mais antigas com estrutura de madeira. Cento e trinta mil moradias foram destruídas.
Ken Namba informou que já foram construídas 48 mil unidades habitacionais e que 70% da cidade foi reconstruída. Nossa maior dificuldade é fazer as pessoas voltarem ao seu ritmo normal do cotidiano, explicou o arquiteto. Grande parte das vítimas do terremoto é idosa e, para tentar superar o trauma, os arquitetos japoneses trabalham com a proposta de moradias coletivas.
O professor Kunihiro Narumi, da Universidade de Osaka, lembrou que o terremoto provocou uma mudança instantânea na paisagem de Kobe. Para resgatar e valorizar elementos urbanos, a população foi estimulada a fotografar paisagens e locais que considera importantes, como parques e jardins.





