Um alimento sagrado e que carrega a tradição milenar dos japoneses. Assim pode ser definido o ‘‘moti’’, um bolinho preparado a partir do arroz e que é distribuído nas festas da colônia nipônica, sobretudo às do Ano Novo. Ontem de manhã não foi diferente: mais de 80 japoneses ou descendentes que moram em Londrina foram até a sede da Acel para preparar o alimento. Eles utilizaram 360 quilos do moti-gome, uma variedade do arroz, e produziram mais de 550 quilos do bolinho.
‘‘A história do moti se perde no tempo. Ela vem da lenda de que Deus fez do arroz o ‘alimento dos homens’. Por isso ele é considerado sagrado’’, explica Osvaldo Kariya, diretor-executivo da Acel, onde o prato é preparado há mais de 10 anos. ‘‘A idéia é que o arroz é aglutinador, significa a união, o trabalho conjunto. Por isso sua elaboração é quase um ritual’’, acrescenta.
O moti é o principal ingrediente do ‘‘ozooni’’, uma sopa especial que é servida no primeiro dia do ano - na festa conhecida como ‘‘shinnenkai’’, a mais importante para os japoneses. ‘‘A crença é que ozooni serve para dar nova vitalidade, esperança e purificação às pessoas no ano que se inicia’’, diz Kariya.
Eiji Yamazaki, presidente do Conselho Deliberativo do clube, informa que para preparar o moti os japoneses deixam o arroz de molho, de um dia para o outro. Depois, o alimento é cozido no vapor durante 50 minutos, aproximadamente, e amassado em tachos de madeira. Em seguida, os bolinhos são enrolados, com maisena, e depois separados para secar. Depois de pronto, o moti pode ser consumido junto com o ozooni, cru, com açúcar e shoyu, ou então assado.
‘‘Ajudo a preparar o moti há 10 anos. Além de dar sorte, é importante participar para manter a tradição e os costumes dos japoneses’’, disse Kekichi Motomura, 67 anos, enquanto fazia o bolinho. A mesma opinião é compartilhada por Ângelo Gote, 68 anos. ‘‘É bom para reunir a turma, integrar. Ajudo a preparar o moti há mais de cinco anos.’’

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