No dia 19 de agosto, um grupo de seis professores universitários japoneses desembarcou em Londrina com uma missão: conhecer e pesquisar o sistema educacional do Brasil. Durante mais de 10 dias, eles cumpriram uma verdadeira maratona de visitas a creches e pré-escolas, públicas e particulares. Com a paciência característica dos orientais, eles observaram cada detalhe, desde a forma como as crianças são trazidas para a escola até a relação com a professora. O objetivo da visita é levar para o Japão informações que possam ajudar as instituições de ensino lá a melhor receber os filhos de dekasseguis.
Segundo os pesquisadores, quando as famílias resolvem migrar para o outro lado do mundo, as crianças são as que mais sofrem com problemas de adaptação no novo país. Daí a preocupação do governo japonês em promover mudanças em suas escolas, de forma a torná-las o mais próximas possível das instituições brasileiras. ''Não viemos espionar, mas apenas conhecer um pouco mais das escolas de vocês'', afirmou a coordenadora do grupo, Rieko Tomo.
Rieko explicou que a visita teve três objetivos: observar in loco o trabalho educacional brasileiro para sugerir mudanças ao governo japonês; saber se as muitas famílias de descendentes japoneses da região mantêm as tradições do país de origem; e ver como se comportam as crianças que passam uma temporada no Japão o que trazem de bagagem cultural e de que forma aproveitam estas informações, no retorno ao Brasil. ''Também procuramos saber se estas crianças se sentem mais brasileiras ou mais japonesas, ou ainda se estão em dúvida sobre sua identidade cultural'', explicou a coordenadora.
O grupo começou a retornar ao Japão na semana passada. Amanhã embarcam de volta os dois últimos pesquisadores. Embora achem prematuro falar em conclusões, eles disseram ter percebido uma preocupação por parte dos pais em preservar costumes milenares da raça. ''A 4 geração, que são os yonseis, ainda conserva costumes e imagens do país de seus antepassados. Isso quer dizer que estes costumes estão diluídos, mas não esquecidos'', observam.
Os pesquisadores são de regiões diferentes do Japão (Tóquio, Hiroshima, Kioto, Aichi, Kamakura e Ibaraki) e cada um irá elaborar o seu relatório. Posteriormente, eles voltarão a se reunir para preparar um documento que será apresentado ao Ministério da Educação, com sugestões de mudanças no sistema de ensino japonês para dekasseguis.
Em uma segunda etapa, o grupo percorrerá escolas fazendo palestras sobre o que viram no Brasil. Para os pesquisadores, o que mais chamou a atenção nas escolas londrinenses foi a relação interpessoal entre professores e alunos. ''Lá o relacionamento é mais distante, não existe esta afetividade'', afirma a professora Estela Okabayashi Fuzii, diretora do Departamento de Informação e Apoio ao Dekassegui da Aliança Cultural Brasil-Japão do Paraná, que assessorou o grupo.

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