Japoneses doam aparelhos auditivos para campanha
Mauricio Della Barba
De Londrina
Um total de 29 aparelhos de surdez foi entregue ontem à tarde pela Associação Soka Gakkai a representantes da campanha Paraná Melhor Idade Telesom cidade de Londrina. Os aparelhos foram obtidos por membros da Soka Gakkai em Osaka
(Japão), e vêm somar a outros sete equipamentos já arrecadados na campanha.
Lançada no dia 23 de setembro, a campanha para beneficiar deficientes auditivos é uma realização conjunta da prefeitura, Universidade Norte do Paraná (Unopar), Centro Auditivo Telesom e Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paranapanema (Cismepar). A cerimônia de entrega aconteceu na prefeitura. Entre outras autoridades, participaram o prefeito Antonio Belinati (PFL) e o vice-presidente nacional da Brasil Soka Gakkai, Issamu Onozato.
Mais que poder ouvir melhor, a doação de dois aparelhos auditivos vai proporcionar uma vida mais tranquila ao casal de idosos José Fernandes da Silva, de 85 anos, e Virgilina Pontes Fernandes, de 84 anos. Agora a gente não vai precisar ficar gritando um com o outro, brinca seu José ao lado da esposa.
Na lista de espera há mais de um ano, o casal aguarda ansiosamente a chegada dos aparelhos. Já fizemos os testes e acho que deverão nos chamar por esses dias, diz José, que sofre de má audição no ouvido direito.
Os dois decidiram ir atrás de um aparelho depois que o problema se agravou, tornando quase impossível a comunicação entre ambos. Dona Virgilina, que também não consegue ouvir bem do lado direito, afirma que existe uma dificuldade tremenda no convívio diário com outras pessoas. A gente até ouve, mas não entende, diz.
Seu José é mais contundente: A cinco metros, eu só sei que uma pessoa está falando comigo por causa dos lábios mexendo. Não consigo ouvir nadinha, diz. Em casa, a situação é complicada. A gente tem que ficar gritando um com o outro para ouvir, diz dona Virgilina. Seu José aproveita para brincar: Só é bom quando ela me dá alguma bronca. Eu não ouço nada mesmo.
Outra dificuldade é na hora em que o telefone da casa toca. Seu José prefere fugir da responsabilidade: Eu parei de atender porque não escutava direito quem falava. Com isso, dona Virgilina é quem atende. Troco de ouvido, mas mesmo assim às vezes não ouço direito, diz.
Segundo dados do Cismepar, existem cerca de 140 mil pessoas carentes, de todas as idades, à espera de um aparelho auditivo na região. A campanha da prefeitura e da Telesom beneficia apenas as pessoas com problemas auditivos com idade acima de 60 anos.





