O trabalho dos pais na lavoura, o medo de porcos do mato e a falta do arroz nas refeições, constituídas basicamente de feijão com farinha, formam as memórias de infância de Tomie Nakagawa, 97 anos, que chegou ao Brasil ainda no colo da mãe a bordo do Kasato-Maru, primeiro navio a desembarcar no País trazendo imigrantes japoneses, dia 18 de junho de 1908.
Vivendo hoje em Londrina, mãe de oito filhos, seis deles vivos, com 30 netos, 33 bisnetos e um tataraneto, Tomie (única representante viva, em todo o Brasil, dos 781 imigrantes pioneiros) foi uma das ilustres presenças na cerimônia de homenagem aos 95 anos da imigração japonesa no Brasil, ontem à tarde, no Imin-Center, em Rolândia.
Cerca de 400 descendentes dos imigrantes da terra do sol nascente vindos em caravanas de todo o Paraná reuniram-se em torno do monumento à memória dos pioneiros para assisitir à missa campal, celebrada pelo monge budista Nakayama. O evento, promovido pela Aliança Cultural Brasil-Japão em conjunto com a Liga Desportiva e Cultural Paranaense, contou com a participação do embaixador do Japão no Brasil, Tadashi Ikeda, acompanhado da esposa, Mikiko Ikeda, além do cônsul e da consulesa geral do Japão no Paraná, Koichi e Akiko Aoyama.
No pronunciamento feito durante a missa, o embaixador afirmou que o Brasil, adotado pelos japoneses como segunda pátria, serviu de alicerce à cultura e aos costumes orientais que, por sua vez, têm contribuído para a construção do País. Tadashi disse ainda que a data marca a amizade entre os dois países. ''Após a eleição de Lula, nos certificamos que esses laços serão reforçados ainda mais''.
Depois do rito budista, em que os participantes queimaram incensos para reverenciar a alma dos pioneiros, as autoridades visitaram o Museu Histórico da Imigração Japonesa, plantaram árvores e se dirigiram à sede social do Imin-Center, onde assistiram apresentações de Waddaiko (tambor japonês) e à entrega de troféus aos melhores colocados no exame de proficiência em língua japonesa. À noite, as autoridades foram homenageadas com um jantar na Associação Cultural e Esportiva de Londrina (Acel).

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