Japonês valoriza tradicional Miai
Marcelo AlmeidaTeruko Beltrão, 72 anos, está casada há 47 como homem que escolheu, depois de desaprovar o Miai e fugir de um pretendente imposto pela famíliaTeruko Iwakomi Beltrão, 72 anos, e Sumika Morioka, 22 anos, mostram dois diferentes lados de uma cerimônia secular conhecida no Japão: o Miai - o casamento arranjado. Teruko, casada há 47 anos, negou-se aos 24 anos a casar com um homem desconhecido. Sumika, agora na virada do século, busca no Miai seu par para a eternidade. A jovem (veja matéria ao lado) vive hoje em Curitiba na casa de Teruko, que ajuda na formação da menina para o casamento, mesmo sendo contrária a esta tradição.
Teruko conta que, mesmo sendo um processo milenar, o Miai vem recuperando sua força como tradição, tanto no Japão como no interior do Brasil. Hoje, os jovens querem evitar os erros do casamento feito por amor, que estaria se dissolvendo, comenta Teruko. No entanto, ela ressalta, embasada na experiência que viveu, que o destino cada um traça, independente do Miai.
Quando jovem, Teruko vivia em São Paulo, onde seu pai era pastor protestante. Lá, participou do Miai por duas vezes. Existia o nakôdo, uma espécie de casamenteiro, que encontrou dois homens para mim, lembra. Na época, Teruko gostou do primeiro jovem apresentado, que era proprietário de uma quitanda, mas a família recusou a realização desse matrimônio. Meu pai não queria que eu casasse com um verdureiro, diz.
Por isso, Teruko foi apresentada ao proprietário de uma cooperativa, que era rico. Fui com ele ao cinema, desrespeitando uma regra da época, e não gostei dele, diz. Envergonhada em recusar a proposta do jovem, Teruko não sabia o que fazer. Como a data para o casamento estava se aproximando, fiquei tão desanimada que acabei adoecendo, conta.
Sem muitas alternativas, mas certa de que não queria se submeter à tradição japonesa, Teruko resolveu fugir de casa, junto com uma amiga que estava na mesma situação. Escondemos nossa bagagem, no local onde fizemos um piquenique. Depois voltamos e pegamos um ônibus para o Rio de Janeiro, conta. Sem conhecer ninguém na cidade, as duas foram para a Associação Cristão Feminina, onde passariam a viver. Me apaixonei pelo meu atual marido, que era professor de matemática, diz. Depois de alguns meses, os dois resolveram se casar. Até hoje nos damos muito bem, garante.





