Mais de 100 crianças e adolescentes estão sem atendimento em Janiópolis (41 km a oeste de Campo Mourão) porque a prefeitura fechou, há um mês, o Centro de Atendimento ao Menor e Integração à Comunidade (Cemic) e a creche do distrito de Arapuã. O fechamento do Cemic, que atende crianças de 7 anos até jovens de 17 em situação de risco, é considerado mais grave, uma vez que o órgão atendia cerca de 90 alunos. A creche atendia menos de 20 crianças.
‘‘Depois que o Cemic fechou vêm ocorrendo atos infracionais envolvendo crianças e adolescentes’’, disse o presidente do Conselho Tutelar de Janiópolis, José Feitosa. ‘‘Coincidentemente, esse atos têm ocorrido no horário em que esses jovens deveriam estar no Cemic.’’
O órgão atende as crianças no chamado contraturno escolar. Elas estudam num período e frequentam o Cemic no outro. ‘‘Sem o Cemic, até a evasão escolar pode aumentar’’, explicou Feitosa.
O presidente do Conselho conta que a comunidade já realizou uma campanha e arrecadou alimentos e materias de higiene e limpeza visando a reabertura do Cemic, mas faltam os funcionários. ‘‘Eles estão sem receber há dois meses e não querem trabalhar enquanto não sair o pagamento’’, frisou Feitosa. Ao todo, o Cemic tem oito funcionários.
O prefeito de Janiópolis, Júlio Batista Guimarães (PPB), admitiu que a prefeitura não tem condições de arcar com as despesas de funcionamento do Cemic. ‘‘Temos que reduzir custos’’, explicou. Ele afirmou que já fez uma reunião com os pais para expor o problema. Guimarães ressalta, porém, que com a ajuda da comunidade é possível reabrir o órgão. ‘‘A comunidade ficou de fazer uma campanha e de me dar um retorno, o que ainda não ocorreu.’’
Guimarães disse que vai começar a normalizar o pagamento dos servidores nesta semana. Sobre a creche de Arapuã, o prefeito disse que ela foi fechada por falta de condições do prédio. ‘‘A reforma é inviável porque uma nova creche está em fase final de construção no distrito’’, frisou. Segundo ele, a nova creche fica pronta no próximo mês.

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