O mês que terminou ontem entrou para a história como o segundo janeiro mais chuvoso dos últimos 32 anos em Londrina. Segundo a meteorologista do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) Ângela Beatriz Costa, foram registrados 390 milímetros (mm) de chuva nos primeiros 31 dias do ano.
O volume representa quase o dobro da média histórica para o mês de janeiro, que é de 206 mm, e é três vezes maior do que o registrado no mesmo período do ano passado (121 mm). A marca deste ano também chegou muito perto do recorde atingido em 2005, quando choveu 408 mm no primeiro mês do ano.
Ainda de acordo com a meteorologista, 20 dos últimos 31 dias foram chuvosos. Para quem não aguenta mais tanta água caindo do céu, a previsão não é das melhores. ''Fevereiro deve se manter nessa frequência, com chuvas ligeiramente acima da média. Continuam sendo pancadas, chuvas localizadas - resultado da associação de umidade com altas temperaturas'', explicou, citando a influência de fenômenos climáticos como o El NiÀo.
Os números só confirmam o que os londrinenses têm sentido na pele. No final da tarde de anteontem, a chuva voltou a causar transtornos em toda a cidade. A sede campestre do Londrina Esporte Clube (LEC) teve que ser interditada. ''Como a sede fica numa baixada, a chuva veio com tudo e trouxe tronco de árvore, pedra, barro. Arrebentou o estacionamento, empurrou o portão principal, derrubou o muro perto da churrasqueira e encheu as quatro piscinas de terra e sujeira'', enumerou o gerente da sede, José Mussalan Júnior.
Ele disse ontem que ainda não tinha uma estimativa do prejuízo financeiro, mas que deverá levar um mês para reparar todo o estrago. ''O jeito é interditar, porque não tem condições de ser usado'', lamentou. O local é mantido pela Sociedade Amigos da Sede Campestre (Sasc) e recebe até duas mil pessoas aos fins de semana.
Segundo o Corpo de Bombeiros, a Zona Norte foi a região mais prejudicada pelo temporal. Destelhamentos, quedas de árvore e alagamentos foram algumas das ocorrências atendidas pelos homens que trabalharam durante toda a madrugada.
Na manhã de ontem, uma equipe se deslocou até a casa da copeira Lourdes dos Santos Batista, no Conjunto João Paz, para cortar uma árvore que caiu na noite anterior. A dona da casa disse que há pelo menos seis anos vem pedindo para a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Sema) arrancar a árvore, que estava com cupins. ''Eu moro aqui há mais de 20 anos e não aguento mais os cupins. Será que eles ficam esperando a árvore cair para fazer alguma coisa?'', reclamou. ''Como é que fica agora? Não temos dinheiro pra consertar o telhado, sem contar que está tudo estragado aqui dentro de casa.''
O secretário da Sema, Gerson da Silva, explicou que em algumas avaliações até é possível prever quando uma árvore vai cair, mas para se ter certeza disso é preciso realizar uma ''tomografia'' da árvore. Para isso é necessário um aparelho que, segundo ele, só está à venda fora do Brasil e custa cerca de R$ 60 mil. ''O cupim não come árvore verde, ele só come árvore sem vida, morta. É preciso analisar a situação. Pode ter havido falha da Sema e se isso aconteceu, nós nos responsabilizaremos. A dona da casa deve entrar com um pedido de recurso na Sema para que isso seja avaliado''.
As proximidades dos Lagos Norte e Cabrinha também permaneceram encobertos de lama. O secretário disse que boa parte da sujeira pode ser evitada com a colaboração dos moradores. ''A própria população pode evitar que isso aconteça, varrendo as folhas e a sujeira em frente a suas casas.''

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