‘Jamir não é um réu de
extrema periculosidade’
O advogado Carlos Eduardo Buchweitz atuou de forma imparcial na defesa do garçom Jamir Valentim Vieira, consciente de estar defendendo uma causa complexa e de difícil vitória para o réu. A defesa se baseou na absorção dos crimes menores - a ocultação e destruição do corpo do menor e a tentativa de extorção. Buchweitz apelou aos jurados para que condenassem Jamir Vieira pelo crime de homicídio qualificado, perdoando as outras duas acusações. Após a divulgação do resultado do julgamento, Buchweitz conversou com a Folha.
Folha-Porque o senhor aceitou o caso do Jamir?
Carlos Eduardo Buchweitz-Fui nomeado pela Justiça e aceitei por uma questão profissional.
Folha-Quantos advogados recusaram o caso antes?
Buchweitz-Não tenho idéia.
Folha-E o que mudou a partir do momento em que o senhor assumiu a defesa?
Buchweitz-O Jamir passou a ter uma defesa, o que é um direito de todos.
Folha-Porque ele não vai recorrer?
Buchweitz-Jamir não tem a intenção de recorrer. Ele acredita que por melhor que possa ser feita a defesa dele novamente, e por ser condenado em todos os quesitos principais por 7 a zero, ele não acredita que possa ser beneficiado com um novo julgamento.
Folha-Qual a vontade manifestada por ele agora?
Buchweitz-Ele quer ir para a penitenciária o mais breve possível e alcançar algum benefício, por isso desistiu de recorrer.
Folha-A que o senhor atribui a unanimidade dos jurados a favor da condenação?
Buchweitz-Ao agravante do crime e da forma como foi cometido. E também ao fato da população desde o início se manifestar a favor da pena máxima.
Folha-O senhor acha que Jamir tem condições de se reintegrar à sociedade?
Buchweitz-Com certeza ele tem condições de se reintegrar à sociedade. Ele não é um réu de extrema periculosidade, não é um criminoso contumaz, apenas cometeu um delito e está arrependido, apesar da gravidade.

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