Chácaras, plantações de milho e pastos com cavalos. A cena, que parece ter saído da zona rural, é da vizinhança do Conjunto Habitacional Jamile Dequech. Distante 12 quilômetros do centro no extremo sul de Londrina, o bairro sofre com os problemas decorrentes de seu isolamento, além da falta de infraestrutura básica, que é fato na maioria das regiões periféricas da cidade.
Com pouco menos de 400 famílias, segundo último levantamento da associação de moradores local, o conjunto não consegue atrair investimentos. Não há farmácias, lojas e o comércio local é formado apenas por pequenas mercearias e uma padaria.
Resta à comunidade trazer mercadorias dos bairros vizinhos ou do centro. Mas aí começa outro problema. ''Ninguém faz entrega aqui depois das 18 horas, o pessoal tem medo'', conta Marilene Fátima Torres. O mesmo problema adicionado também às altas taxas de entrega cobradas acontece com o transporte. Não é raro, segundo os moradores, os mototaxistas recusarem corridas até o bairro.
Marilene mudou para o conjunto há cerca de um ano do bairro vizinho Cafezal e acredita que a falta de serviços públicos é o maior problema da comunidade. ''Não temos posto de saúde, a gente tem que ir no posto do União da Vitória ou Cafezal'', conta. Apesar da unidade do União da Vitória ser mais próxima, ela prefere pegar ônibus e ir até o Cafezal. ''No União (da Vitória) se a gente vai mais arrumada o pessoal (os moradores) já te fazem cara feia'', relata.
Educação e lazer também são deficientes. A escola do bairro não tem ensino médio. ''O pessoal precisa ir longe para estudar porque no União da Vitória também não tem'', conta o cobrador Adilson Vitorino, que acabou de adquirir um imóvel e pretende mudar-se em setembro. Ele tem duas filhas em idade escolar. ''Vamos ter que transferir depois, o melhor seria se tivesse aqui por perto'', argumenta.
A presidente da Associação de Moradores do Conjunto Jamile Dequech, Juraci Ferreira Pimentel, aponta também a falta de espaços de lazer para a comunidade. Não há praças e o campo de futebol está com as cercas caídas. Na falta de espaços, a criançada do bairro se diverte em um campinho e uma cova de retirada de terra virou pista de bicicleta.
O buraco, que ainda guarda restos de entulho foi limpo pelas próprias crianças. ''Os moleques se juntaram e fizeram a rampa'', conta Guilherme Rocha, 11 anos.
Com a construção de mais 260 moradias no conjunto, cujas obras já estão adiantadas, a comunidade teme que a situação piore. ''Quando ficar pronto vai complicar tudo, dos ônibus até a escola'', comenta a presidente da associação.

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