Jamais tratei a questão da terra a bala
Folha - Qual é a sua proposta para estas pequenas e médias empresas?
Requião - Eu estou lançando um programa, que eu chamarei de Decola Paraná com a Força dos Paranaenses. Nós vamos chamar empresas do Canadá, que é um canteiro da pequenas e médias empresas, do Norte da Itália, empresas de tecnologia avançada, modernas, que já não têm mais mercado. Dos Estados Unidos, da França, da Holanda. Nós vamos chamar todas estas empresas e oferecer a elas benefícios creditícios e fiscais, com algumas condições. A primeira delas é que vão ter que ter um sócio paranaense, porque nós não estamos aqui para botar azeitona na empada de ninguém. Tendo um sócio paranaense, no contrato dos benefícios creditícios e fiscais, eles assumem o compromisso de contratar um certo número de empregados e operários. Se diminuírem o número perdem os benefícios e devolvem o que receberam. Estas empresas se fecharem por qualquer motivo devolvem tudo que receberam de benefícios.
Folha - O seu governo deixou alguns esqueletos no armário que voltarão a ser expotos na campanha eleitoral pelos adversários. O sr. está preparado para enfrentar os casos Ferreirinha, da campanha de 90, e a morte do líder sem-terra Teixeirinha?
Requião - Esses assuntos estão superados. Já me enchi o saco com isso e sou o senador mais votado do País.
Folha - No caso da morte do sem-terra Teixeirinha, a oposição lhe acusa de ter permitido a revanche depois da morte de três PMs.
Requião - A minha posição é a favor da reforma agrária cem por cento. O que fiz no governo foi não deixar que o Paraná virasse um estado anárquico. Jamais tratei a questão da terra a bala. Aquele caso foi um confronto com a polícia. Não estimulei coisa alguma. Quem mandou atirar na perna de sem-terra, e oficialmente, foi o Jaime Lerner e Candinho.
Folha - Durante seu período de governo, o sr. viveu um confronto com o Judiciário. Num possível retorno, como seria esse relacionamento?
Requião - Da mesma maneira. Não acho que terei nenhum problema nesse campo. Vou continuar entendendo que aumento de salário tem de ser feito por lei. O próprio STF acabou com essa história de autonomia (a base da briga dos juízes com o governo foi pelo aumento de salário dos magistrados). Salário é ato complexo definido por lei. Cumprir a lei não é se confrontar com nada.
Folha - O TRE cassou seu mandato, devolvido depois pelo TSE...
Requão - O TRE me cassou por três vezes. Espero que não exista a quarta e a quinta. Eles devem ter cansado.
Folha - Lerner o classifica como inimigo do Paraná em suas andanças pelo Estado. Como se livrar dessa pecha?
Requião - Eu vou responder com um programa para o Paraná. Nossa coligação vai se chamar PAS Paraná, Produção, Amor e Solidariedade. Eu vou responder com a reconstrução do Paraná. Agora, com Lerner, sem Lerner, com calúnia, sem calúnia, eu sou o senador mais votado do Brasil. Eu gastei 21 mil dólares na campanha para o Senado. E sou o senador mais votado do Brasil com todas essas calúnias. Eu poderia responder ao Lerner com uma matriz comum nossa da cultura judaica-cristã. Eu respondo para ele com o Salmo 91.7: Mil cairão ao teu lado. Dez mil à tua direita e tu não serás atingido. Quem faz aquilo que acredita, quem tem a verdade no coração, quem faz política para construir, para mudar, por ideal, não tem que ter medo rigorasamente de nada. Eu digo tudo que penso e aquilo que digo é tudo que faço.





