Jaci repete a tática para não falar à CEI
Jaci repete a tática
para não falar à CEI
Ex-vereador pede novamente afastamento do presidente da Comissão
Benê Bianchi
A trêsO motorista Márcio Vidoto: carona para Fredemax Mota e esposa Depois de anunciar que compareceria ontem para depor na Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara Municipal, o ex-vereador Jaci Aguiar mudou de idéia e não apareceu de novo. Ele esteve na Câmara, mas não saiu do gabinete do vereador Flávio Vedoato (PTB) - que está viajando à Itália em comitiva oficial do município -, mesmo afirmando o tempo todo que iria até a sala onde estão sendo tomados os depoimentos. Uma hora e meia depois, no lugar dele esteve reunido com os membros da CEI um estagiário do escritório do advogado de Aguiar, Antonio Carlos Vianna, que novamente entrou com pedido de afastamento do presidente da Comissão, Antenor Ribeiro (PPB).
A mesma tática foi usada por Aguiar há duas semanas para não prestar esclarecimentos à CEI. Ele alega que Antenor Ribeiro fez comentários favoráveis à Cooperativa Cativa em seus programas de rádio e TV. O pedido anterior foi analisado pela assessoria jurídica da Câmara e não foi acatado. O novo pedido também será submetido à assessoria jurídica da Casa.
A CEI investiga denúncia de tentativa de extorsão contra a Cativa e Cooperativa Central Norte, de Apucarana. Diretores de ambas as cooperativas acusam ex-assessores de vereadores de tentarem extorquir um total de R$ 80 mil para não divulgarem o resultado de análises do leite tipo C, realizadas pelo Instituto Adolfo Lutz, de São Paulo. Os acusados são Fredemax Mota, apontado como ex-assessor de Aguiar, Aristeu Rodrigues, ex-assessor de Alvair de Souza (PL); e José Rojas Gavilan, ex-assessor de Beto Scaff (PSDB).
Aguiar é autor do requerimento aprovado pelo plenário da Câmara, solicitando a realização de análises das marcas de leite C comercializadas na Cidade. Ele deixou a Câmara no início de abril, com o retorno ao cargo do vereador Moysés Leônidas, e voltou à suplência do PDT.
A CEI também ouviu ontem o motorista da Câmara Márcio Vidoto. Ele levou as amostras de leite para São Paulo para análise, acompanhado de Fredemax Mota. Vidoto já havia prestado depoimento, mas havia omitido a informação de que também viajou no carro a esposa de Mota. No primeiro depoimento respondi apenas o que me foi perguntado, disse Vidoto em entrevista à imprensa.
Ele informou que a mulher ficou na casa de parentes, em São Paulo, enquanto ele e Mota foram levar as amostras ao Adolfo Lutz. Na volta, passamos novamente na casa para pegá-la, disse o motorista.
Ainda de acordo com Vidoto, ele teria dito a Mota que não podia levar ninguém de carona no carro sem autorização prévia. Mota teria insistido. Como ele era o coordenador do trabalho de coleta de leite, achei que podia fazer o que estava pedindo.
As explicações do motorista sobre ter respondido apenas o que lhe foi perguntado, no primeiro depoimento, não convenceu o presidente da CEI. Temos fitas gravadas e foi perguntado a ele, textualmente, quem viajou até São Paulo. Ele respondeu que estavam no carro apenas ele e Fredemax Mota.
Antenor Ribeiro adiantou que irá aguardar a elaboração do relatório final da CEI para analisar se será proposta alguma medida contra Vidoto. Ele informou que Jaci Aguiar será novamente convocado para depor e que a comissão pretende encerrar os trabalhos dentro do prazo estipulado (7 de junho).
Outra pessoa a ser convocada para depor é Vanderlei Tavares, de Arapongas. Ele teria levado uma segunda remessa de amostras de leite produzido em Arapongas e Rolândia para análises no Adolfo Lutz, a pedido de Fredemax Mota. A data não foi marcada, mas o depoimento deve ocorrer ainda esta semana.





