Jacarezinho vive epidemia de dengue
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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Silvana Leão <br> Reportagem Local 
Jacarezinho - Os estragos que a temporada de chuvas estão causando em Jacarezinho (Norte Pioneiro) são visíveis logo na entrada da cidade, com imagens de ruas destruídas pela força das enxurradas. Mas por todo o município de 39 mil habitantes um outro efeito da combinação excesso de água e calor é ainda mais devastador: a infestação pelo mosquito da dengue, que já fez centenas de vítimas locais. De acordo com o último informe divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), no início desta semana, são 1.123 casos notificados no município.
O que mais chama a atenção no relatório, porém, é a incidência da doença, que é de 877,39 (em Londrina, que tem até agora o maior número de casos de dengue confirmados no Estado, a incidência é de 125,53). Pelas ruas, não é difícil encontrar quem já tenha tido os desagradáveis sintomas ou conheça alguém que tenha sofrido com a doença. Em uma rede de supermercados da cidade, o proprietário calcula que aproximadamente 10% dos 150 funcionários estejam afastados por dengue.
''Há várias semanas está assim: um funcionário volta a trabalhar e já tem outro doente. Dois casos foram bem graves'', explica o comerciante José Carlos Molini. Segundo ele, as mulheres são maioria entre os funcionários, o que torna a situação ainda mais complicada, porque elas se vêem obrigadas a faltar no trabalho também quando os filhos começam a apresentar os sintomas.
Entre as funcionárias picadas recentemente pelo Aedes aegypti e que adquiriam o vírus está a repositora Leia Ferreira, nos primeiros meses de gravidez. ''Além de mim, minha mãe, uma sobrinha e minha irmã já pegaram dengue na nossa família. Também conheço várias outras pessoas que ficaram doentes'', revela Leia, que mora no Jardim Aeroporto, onde surgiram os primeiros casos no final de 2010.
Histórias parecidas são repetidas entre os colegas da gestante. ''Somos em cinco na minha família. Todos já pegaram dengue. A minha irmã está internada há 10 dias, passando muito mal'', conta o auxiliar de escritório José Augusto do Nascimento. O também repositor Ricardo Aparecido de Sousa enfrentou, além do mal-estar típico da doença, a falta de estrutura para atendimento. ''Fiquei quatro dias andando de um lado para outro, mesmo passando muito mal, porque nos postos de saúde me diziam que estava tudo lotado.''
Outro comerciante da cidade, Isael Fernandes, lembra que além de trabalhar desfalcadas, as lojas estão sentindo queda considerável no movimento. ''O pessoal das cidades vizinhas está com medo de vir para Jacarezinho.''
Entre os que tentam fazer a sua parte está o borracheiro Paulo dos Santos, que faz furos em todos os pneus velhos, para não acumular água e se programa para construir um barracão maior. ''Estou tentanto fazer o máximo que posso, porque não quero a doença para mim nem para ninguém'', defende.


